Professor denuncia violência da GCM em abordagem no centro de Mogi das Cruzes
Professor denuncia violência da GCM em Mogi das Cruzes

Professor relata abordagem violenta da Guarda Civil Municipal em Mogi das Cruzes

O professor Alvaro Augusto Dias Junior denunciou uma abordagem que classifica como violenta por parte da Guarda Civil Municipal (GCM) de Mogi das Cruzes. Segundo seu relato ao g1, na madrugada de sábado (14), agentes municipais agrediram pessoas que estavam no Largo Bom Jesus, na região central da cidade, utilizando cassetetes, spray de pimenta, ameaçando com arma de fogo e retendo documentos de forma irregular.

Confusão começou com fechamento de casa noturna

De acordo com o professor, a situação teve início por volta das 2h da madrugada, quando fiscais da prefeitura interditaram uma casa noturna na Rua Barão de Jaceguai. Com o fechamento do estabelecimento, o público presente se dirigiu para a praça, localizada a poucos metros dali. "Os fiscais não passaram o motivo, a justificativa do porquê estavam fechando o local. Daí todos os visitantes foram pra praça. A ação foi intimidatória", afirmou Junior.

Vídeos registram momentos de tensão e violência

Testemunhas gravaram vídeos que mostram o momento da abordagem. Nas imagens, é possível ver guardas levando o homem que teria xingado os agentes e o professor para perto do coreto da praça. Após Junior questionar a legalidade da ação, os ânimos se exaltaram. Em outro momento, as gravações mostram um agente acionando spray de pimenta contra pessoas que filmavam a cena.

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Em seguida, um guarda empurrou outro homem, dando início a uma briga generalizada com uso de cassetetes. Um dos agentes alegou no vídeo que uma mulher quebrou seu rádio de comunicação. "Duas viaturas da GCM foram abordar de forma constrangedora todos que estavam na praça. Eu falei que esse tipo de abordagem não podia fazer ali, tinha que ter chamado a PM ou a Polícia Civil. Ele pegou o meu documento e só devolveu no final", detalhou o professor.

Mulheres teriam sido principais alvos da violência

Junior destacou que as mulheres presentes foram especialmente afetadas pela ação. "Não vou desmerecer o trabalho da gestão, mas eles precisam rever a postura deles. O alvo da violência deles foram as mulheres, quem apanhou foram as mulheres, em um momento que está tendo uma alta na violência contra as mulheres. E eles, que deveriam protegê-las, foram os agressores", finalizou.

Prefeitura afirma que caso está sendo apurado

A Prefeitura de Mogi das Cruzes informou, por meio de nota, que a atuação da GCM segue princípios constitucionais e que não admite condutas irregulares de seus agentes. A administração municipal confirmou que foi registrado boletim de ocorrência da GCM e que a Corregedoria foi acionada para apurar o caso. A Secretaria Municipal de Segurança ressaltou que o ofendido pode registrar sua reclamação na Corregedoria da GCM, localizada no prédio sede da Prefeitura.

Contexto legal sobre atuação das guardas municipais

Vale lembrar que em fevereiro de 2025, o Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu que as guardas municipais não têm poder de investigação, mas podem realizar policiamento ostensivo e comunitário, agindo diante de condutas lesivas a pessoas, bens e serviços, inclusive realizando prisões em flagrante.

O professor afirmou ter registrado um boletim de ocorrência online sobre o caso. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que não localizou o registro até o momento, e que é necessário aguardar a conclusão da análise pela Delegacia Eletrônica para que seja possível o encaminhamento da investigação.

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