Mortes por policiais militares em SP sobem 35,5% no primeiro bimestre de 2024
Mortes por policiais militares em SP sobem 35,5% em 2024

Mortes por policiais militares em São Paulo registram aumento de 35,5% no início de 2024

O número de pessoas mortas por policiais militares em serviço no estado de São Paulo apresentou um crescimento significativo de 35,5% no primeiro bimestre de 2024, em comparação com o mesmo período do ano anterior. De acordo com dados compilados pela Agência Brasil, com base em relatório dinâmico do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), as vítimas passaram de 76 para 103, evidenciando uma tendência preocupante na letalidade policial.

Trajetória histórica e reversão de queda

Historicamente, os registros de mortes cometidas por policiais militares em serviço haviam mostrado uma trajetória de queda durante o governo anterior, entre 2019 e 2022. Nesse período, os números reduziram de 720 para 262, representando uma diminuição impressionante de 63,6%. No entanto, essa tendência foi revertida a partir de 2023, quando Tarcísio de Freitas assumiu o cargo de governador do estado.

Em 2023, primeiro ano da gestão atual, 357 pessoas foram mortas por policiais militares em serviço, marcando um acréscimo de 95 vítimas em relação ao ano anterior. O ano de 2024 testemunhou um salto ainda mais alarmante, com os registros chegando a 653 mortes, o que corresponde a uma alta de 83% em comparação com 2023. Em 2025, novo aumento elevou os números para 703 vítimas, consolidando um padrão de crescimento anual.

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Críticas e alertas de especialistas

O advogado Ariel de Castro Alves, presidente de honra do Grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo e membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB-SP, expressou grave preocupação com os dados. "Uma polícia violenta e que mata em vez de prevenir crimes, investigar e prender criminosos, gera insegurança pública e riscos para todos os cidadãos", afirmou ele, destacando que o levantamento reforça a compreensão de uma escalada da violência policial na gestão atual.

Ariel classificou a situação como um enorme retrocesso na garantia dos direitos humanos no estado, argumentando que, embora a violência seja frequentemente apresentada como forma de combate à criminalidade, na prática, ela se traduz em um fator de insegurança pública. Ele criticou a postura do governo estadual, mencionando que o governador e o então secretário Guilherme Derrite combateram o uso de câmeras corporais, omitiram-se diante de denúncias de violência policial e atacaram órgãos de controle, como a Ouvidoria da Polícia.

Impacto desproporcional em comunidades vulneráveis

O advogado também ressaltou que a violência policial atinge de forma desproporcional jovens pobres e negros dos bairros periféricos de São Paulo. "A mesma polícia que atua com violência contra pobres se corrompe perante quem tem dinheiro, e acaba gerando verdadeiras quadrilhas, milícias e grupos de extermínio", alertou, enfatizando os riscos sociais ampliados por essa dinâmica.

Os dados são divulgados pelo Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp) do MPSP, que coleta informações sobre mortes em decorrência de intervenção policial (MDIP). As polícias Civil e Militar repassam essas informações diretamente à promotoria, em conformidade com determinações legais e resoluções da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP).

Esse cenário levanta questões urgentes sobre políticas de segurança pública e a necessidade de maior transparência e controle externo das ações policiais no estado mais populoso do Brasil.

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