Mulher assassinada em Praia Grande havia alertado sobre ameaças do ex-companheiro
Katiana Oliveira, a mulher que foi morta a tiros pelo ex-companheiro em Praia Grande, no litoral de São Paulo, havia enviado um áudio revelando as ameaças de morte que sofria apenas três dias antes do crime acontecer. Na gravação, a vítima descreveu com detalhes o terror que vivia e expressou seu desejo de se separar antes que uma tragédia ocorresse.
O desespero registrado em áudio
Nos dias que antecederam o assassinato, Katiana compartilhou com uma colega que havia terminado o relacionamento e estava sentindo um grande alívio, pois finalmente conseguia respirar longe da opressão. Ela enviou um áudio emocionado dizendo que havia sido ameaçada explicitamente pelo companheiro e queria cortar os laços antes que um "desastre" acontecesse.
"Ele falou para mim que ia me matar, acredita? 'Vou te matar'. Falou para minha amiga que ia me dar uns tiros", relatou Katiana na mensagem de áudio, demonstrando o nível de perigo que enfrentava. A vítima ainda comentou que, após o término, conseguiu dormir melhor e acordou mais disposta, sentindo que havia tirado "uns pesos das costas".
Os detalhes do crime brutal
O assassinato ocorreu na manhã de sábado (7), às vésperas do Dia Internacional da Mulher, na Rua Edila Amazonina Rodrigues Santos, no bairro Vila Sônia. Segundo informações apuradas pela TV Tribuna, afiliada da Rede Globo, o homem atirou contra Katiana pela primeira vez dentro da própria casa da vítima.
Em um ato desesperado, Katiana fugiu para a residência da vizinha pedindo socorro, mas foi perseguida implacavelmente pelo atirador, que efetuou mais dois disparos contra ela. Após o crime, o homem fugiu do local, deixando a vítima gravemente ferida.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 10h e enviou uma viatura com três profissionais ao endereço. Em nota oficial, a corporação informou que a equipe realizou massagem cardíaca na vítima, mas a morte foi constatada aproximadamente meia hora depois do atendimento. Katiana havia sido atingida por três disparos e não resistiu aos ferimentos.
A prisão do suspeito
Eronildo Manoel da Silva, o ex-companheiro de Katiana, foi preso em flagrante horas após o crime. Ele foi localizado e detido pela Guarda Civil Municipal (GCM) e pela Polícia Militar entre a Avenida Presidente Kennedy e a Rua Ernesto Vergara, no bairro Vila Assunção, também em Praia Grande.
O caso choca pela clareza com que a vítima previu o perigo que corria. Katiana havia explicitamente mencionado em seu áudio que temia pela própria vida e buscava se afastar do agressor antes que algo irreparável acontecesse. Suas palavras proféticas ecoam como um triste alerta sobre a gravidade da violência doméstica no Brasil.
Este feminicídio ocorre em um momento simbolicamente significativo, às vésperas do Dia Internacional da Mulher, reforçando a urgência de políticas públicas mais eficazes de proteção às mulheres em situação de risco. A história de Katiana se junta a tantas outras que terminam em tragédia, mesmo quando as vítimas tentam buscar ajuda e denunciar as ameaças que sofrem.
