Vítima de feminicídio reimplanta mãos e fala sobre esperança
Vítima de feminicídio reimplanta mãos e fala sobre esperança

Ataque brutal em Quixeramobim

No dia 1º de novembro, a estudante Ana Clara Oliveira foi vítima de uma tentativa de feminicídio no município de Quixeramobim, sertão do Ceará. Os agressores, Ronivaldo Rocha dos Santos e seu irmão Evangelista Rocha dos Santos, foram presos. Ronivaldo, então namorado da vítima, teria planejado e ordenado o ataque, enquanto Evangelista executou os golpes com uma foice. A Polícia Civil aponta ambos como coautores do crime, conforme afirmou o delegado Júlio César Grelli Lobo.

Detalhes do crime

O relacionamento de quase dois anos era marcado por agressividade e ciúmes excessivos de Ronivaldo. Na noite do crime, após uma discussão, Ana Clara atirou uma pedra no carro do namorado, quebrando o para-brisa. Ele então buscou o irmão. Imagens de câmera de segurança mostram os dois chegando; Evangelista pulou o muro com uma foice, enquanto Ronivaldo subiu no teto do veículo e deu a ordem para o ataque. Ana Clara relembra: "Do que eu abri, ele pulou a janela e já foi atacando, amputou minha mão. Eu me fiz de morta." Ela sofreu ferimentos graves nos braços, pernas, costas, rosto e pescoço. O executor admitiu a intenção de matar, mas Ronivaldo negou, embora as evidências indiquem o contrário.

Atendimento médico e cirurgia de reimplante

Após a fuga dos agressores, a vítima gritou por socorro e vizinhos acionaram o Samu. O enfermeiro João Emanuel descreveu a cena como assustadora: "Uma jovem com um membro realmente amputado e com lesões muito graves." O acondicionamento correto da mão decepada, em saco plástico com gelo, foi crucial para o sucesso do reimplante. Ana Clara foi transferida para um hospital público em Fortaleza, referência em trauma, onde cirurgias eletivas foram canceladas para priorizar seu caso. A cirurgia durou 12 horas, com 15 profissionais, incluindo quatro cirurgiões especializados em mãos e microcirurgia. Foram reconstituídos ossos, tendões, artérias, veias, nervos e pele em ambas as mãos. Posteriormente, a paciente passou por novas intervenções em uma perna e na artéria de uma das mãos.

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Recuperação e mensagem de esperança

Na última sexta-feira, Ana Clara iniciou fisioterapia e terapia ocupacional, conseguindo os primeiros movimentos voluntários com os dedos. "A felicidade é enorme que tô conseguindo mexer os meus dedos. E é o sentimento de gratidão", comemorou. A equipe médica não prevê alta, mas está otimista quanto à recuperação das funções motoras. A vítima pretende usar sua história para alertar outras mulheres sobre violência doméstica: "Não esconda. Eu escondi muitas vezes. Que as mulheres que hoje passam por isso saiam, procurem uma ajuda."

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