Mulher encontrada morta em Ribeirão Preto já havia denunciado marido por perseguição
A delegada Michela Ragazzi, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, confirmou nesta quarta-feira (22) que Jeane Ferreira da Silva Funes, encontrada morta dentro de casa na tarde de terça-feira (21), já havia procurado a polícia em múltiplas ocasiões para denunciar que era perseguida por Renato Funes, seu marido e principal suspeito do crime.
Histórico de denúncias e medidas protetivas
Segundo informações repassadas pela delegada à EPTV, afiliada da TV Globo, os registros policiais foram feitos pela vítima entre os anos de 2024 e 2025. Jeane chegou a solicitar medidas protetivas contra Renato, que foram decretadas imediatamente pelas autoridades. No entanto, em uma reviravolta trágica, investigações posteriores revelaram que o casal havia se casado no final do ano passado e continuava coabitando.
"Infelizmente este caso já havia sido registrado pela Delegacia da Mulher como perseguições dele contra ela", afirmou Michela Ragazzi. "Ela registrou no ano de 2024, depois registrou no ano de 2025, solicitou medidas protetivas, que foram decretadas imediatamente. Porém, levantamos, através das pesquisas, que ela se casou com o agressor no final do ano passado, com quem ela estava coabitando".
Padrão preocupante de retorno aos agressores
A delegada destacou que esta situação reflete um padrão alarmante observado em muitos casos de violência doméstica. "Vemos que a situação se repete, não somente no caso desta vítima, mas de várias que registram os fatos e depois voltam a coabitar ou revogam as medidas protetivas", explicou.
"Elas, às vezes, nem comunicam à polícia a respeito disso, mas, neste caso, já havia antecedentes relacionados ao casal, de que ele perseguia, de que o relacionamento era baseado e fundamentado em muitos desentendimentos", completou a autoridade policial.
Descoberta do crime e cena do feminicídio
Jeane Ferreira da Silva Funes foi encontrada pela própria irmã caída no banheiro de sua residência, já sem vida e com evidentes sinais de violência pelo corpo. O trágico episódio ocorreu na tarde de terça-feira, na Rua Marquês de Pombal, no bairro Campos Elíseos, zona Norte de Ribeirão Preto.
De acordo com as investigações, a irmã da vítima foi até o local após várias tentativas frustradas de contato telefônico. A cena do crime apresentava múltiplas perfurações no corpo de Jeane e claros indícios de que uma luta corporal havia ocorrido em diferentes ambientes da residência.
Relacionamento conturbado e motivações
A delegada Michela Ragazzi revelou que Jeane e Renato estavam em processo de separação no momento do crime. Entre os principais motivos de conflito estavam a falta de emprego fixo por parte de Renato e seu uso de drogas, questões que incomodavam profundamente a vítima.
"É uma situação que ela se queixava com a família, porque ela trabalhava e ele não. Isso incomodava bastante ela", relatou a delegada. "Recentemente, por ter um filho especial, ela queria dar fim a esse relacionamento, que já durava dois anos".
Testemunhas informaram à polícia que Jeane havia solicitado a um inquilino que desocupasse uma propriedade dela, pois pretendia deixar a residência onde morava com Renato para se mudar para essa outra casa. Infelizmente, não teve tempo para concretizar esse plano de fuga.
Suspeito foragido e investigações em andamento
O caso está sendo investigado pela DDM de Ribeirão Preto como feminicídio. Até o momento desta reportagem, Renato Funes não havia sido localizado pelas autoridades policiais, que continuam em busca do principal suspeito.
A delegada Michela Ragazzi explicou que vários fatores colocam Renato como suspeito principal: "A questão é o fato de ele não estar no local e não comparecer na delegacia até agora para querer saber o que aconteceu com a esposa".
"Caso não fosse ele o autor, certamente, queria satisfações tanto da polícia, quanto queria entender o que aconteceu com ela. E esse relacionamento tão conturbado, e ele estar em local incerto, tudo indica, tudo leva a crer que ele tenha sido o autor das agressões", concluiu a delegada.
As informações sobre o histórico de violência no relacionamento foram confirmadas à polícia por familiares de Jeane, reforçando as suspeitas sobre a autoria do crime. A investigação continua ativa enquanto as autoridades buscam localizar Renato Funes para esclarecimentos.



