Jovem agredida em elevador vive com medo após libertação de ex-namorado
A operadora de telemarketing Byanca Aparecida dos Santos, de 20 anos, viu sua rotina ser completamente tomada por medo e insegurança após o ex-namorado que a agrediu dentro de um elevador ser solto. O caso, que ocorreu na última segunda-feira (16) em Guarulhos, na Grande São Paulo, ganhou repercussão após imagens de câmeras de segurança mostrarem a brutalidade da agressão.
Trauma e insegurança no cotidiano
Em entrevista à TV Globo, Byanca desabafou sobre o impacto psicológico da violência e da posterior soltura do agressor. "Eu estou em choque, não sei o que fazer. Eles me liberaram no meu trabalho bem mais cedo quando ficaram sabendo que ele tinha sido solto. Todo mundo está em choque, com medo de acontecer algo comigo", relatou a jovem, que acrescentou: "Eu mesma estou pedindo muito pra Deus que não aconteça nada comigo".
A vítima explicou que já vivia com temor antes mesmo do episódio no elevador. "Eu ia pra casa com medo, qualquer barulhinho na rua eu já olhava pra trás morrendo de medo, já estava assustada. Quando isso aconteceu piorou mais ainda, o meu psicológico está abalado", afirmou Byanca, destacando como a violência doméstica deixa marcas profundas.
Detalhes da agressão e a coragem de uma amiga
O ataque aconteceu quando Byanca chegava ao trabalho em um prédio comercial. Imagens de segurança mostram ela correndo para dentro do elevador na tentativa de fugir do ex-namorado, Ronaldo Ferreira, também de 20 anos. O homem a perseguiu, pulou a catraca e desferiu vários socos contra a vítima.
As agressões só cessaram quando uma amiga de Byanca interveio, entrando na frente do agressor e deitando-se sobre a vítima para protegê-la. Em depoimento, a amiga questionou a passividade de outras testemunhas: "Vocês podem ver no vídeo que teve muita gente e ninguém se intrometeu. Eu não gosto disso. Nunca que eu ia ver ela passando por aquilo e não ia ajudar. Não quis nem saber se eu ia apanhar ou não. Imagina se eu não entro dentro do elevador e ele mata ela? Aí fica por isso mesmo?".
Motivação e resposta das autoridades
Segundo Byanca, a violência foi motivada pela sua decisão de terminar o relacionamento. "Ele não tem direito. Só porque eu terminei o relacionamento com ele, quis seguir minha vida. Ele seguindo a vida dele não quer deixar eu seguir a minha", declarou.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado como violência doméstica e lesão corporal na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Guarulhos. Foram requisitados exames ao IML para a vítima e solicitadas medidas protetivas à Justiça.
Ronaldo Ferreira foi preso, mas obteve liberdade provisória na audiência de custódia realizada na terça-feira (17). Ele deverá cumprir medidas como proibição de contato com a vítima e de se aproximar dela a menos de 300 metros. No entanto, a soltura gerou preocupação sobre a eficácia das medidas de proteção em casos de violência contra a mulher.
Contexto alarmante na região
O caso de Byanca ocorre em um cenário onde a Grande São Paulo registra uma média de 89 agressões contra mulheres por dia, segundo dados recentes. Este episódio específico ilustra como a violência doméstica pode escalar rapidamente, mesmo em locais públicos, e como as vítimas frequentemente continuam vulneráveis mesmo após denúncias formais.
A situação levanta questões sobre a necessidade de mecanismos mais eficazes para garantir a segurança das mulheres que buscam romper ciclos de violência, especialmente considerando os traumas psicológicos duradouros e os riscos contínuos que enfrentam.



