Série especial 'Onde Ela Estiver' desvenda o ciclo da violência contra a mulher
A violência contra a mulher, muitas vezes, inicia-se com sinais sutis e quase imperceptíveis, evoluindo para um ciclo abusivo que mina a liberdade e a autoestima das vítimas. A série especial Onde Ela Estiver, exibida no Bom Dia Paraíba, aborda essa realidade cruel através de relatos emocionantes e análises de especialistas.
Relato de Sara Cardoso: do ciúme à perseguição
Sara Cardoso, professora, vivenciou dois relacionamentos abusivos que começaram com comportamentos aparentemente controláveis. "Eram pessoas que tinham ciúme e alegavam que ficavam transtornadas porque eu era uma mulher muito bonita, ou seja, tentavam colocar em mim uma culpa que eu não tinha", detalhou Sara em entrevista.
No segundo relacionamento, a possessividade se transformou em perseguição e controle constante. "Em qualquer lugar que eu estivesse, ele conseguia me achar. Quando eu discutia isso, ele dizia que era cuidado, zelo, proteção. Ele me limitava à obrigação de estar sempre com ele", relatou a professora, destacando como a violência psicológica se manifestava.
Isolamento e naturalização da violência
O isolamento social, característico da violência psicológica, também marcou a vida de Sara. "A gota d'água foi quando me vi sozinha. Eu não conversava mais com ninguém, não visitava minha família e só tinha aquela pessoa que me silenciava o tempo todo", explicou.
A socióloga Evellyne Tamara ressalta que essa violência simbólica é silenciosa e naturalizada pela sociedade. "Reagir é difícil, porque toda a estrutura social naturaliza isso que a gente tem como norma. Mas isso não é natural, é social, é construído", afirmou a especialista.
Pressões externas e falta de educação
Sara apontou que fatores externos, como juventude, dificuldades financeiras e influências religiosas, contribuíram para a permanência no ciclo abusivo. "A gente vai permanecendo ali achando que é a única opção. Por questões de cunho religioso, recebendo orientações espirituais", disse.
Ela criticou a disparidade na educação sobre o tema: "A gente tem sido ensinada a detectar esses abusos. Os homens não têm sido ensinados, na mesma proporção que as mulheres, a mudar esse comportamento".
Canais de denúncia e suporte legal
A violência psicológica, embora muitas vezes invisibilizada, está prevista no Código Penal através da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340). Romper o ciclo de controle e formalizar denúncias é crucial para a proteção das vítimas.
Mulheres em situação de abuso podem buscar ajuda através dos seguintes canais:
- 180 - Central de Atendimento à Mulher
- 190 - Número emergencial da Polícia Militar
- 197 - Número para denúncia da Polícia Civil
A série Onde Ela Estiver serve como um alerta importante sobre a necessidade de reconhecer e combater a violência psicológica, incentivando a busca por apoio e a quebra do silêncio que perpetua o sofrimento.



