Dados da Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) revelam que a região de Campinas (SP) registrou uma média de 4 ocorrências de violência contra a mulher a cada hora no primeiro trimestre de 2026. De acordo com o balanço, ao menos 75,7% dos casos envolvem maridos, parceiro estável ou outro envolvimento amoroso não especificado.
Ao todo, foram 7,8 mil ocorrências entre janeiro e março na 2ª Delegacia do Interior (Deinter-2), que é sediada na metrópole e abrange 38 municípios. Ainda segundo números extraídos do Painel sobre Vítimas da Violência Doméstica da SSP, a relação entre as vítimas e os agressores também inclui parentes, amigos e conhecidos.
Números por mês
Os registros mensais foram: janeiro (2.703), fevereiro (2.488) e março (2.684). Entre as naturezas mais frequentes, a ameaça aparece em primeiro lugar, com 2.235 ocorrências, seguida por calúnia, difamação e injúria, e lesão corporal dolosa. Os números também indicam a presença de diferentes formas de violência, que vão além da agressão física e incluem casos de perseguição, violência psicológica e descumprimento de medidas protetivas. O balanço não inclui feminicídios.
Perfil das vítimas
O recorte por faixa etária mostra que a maior parte das vítimas está concentrada na faixa dos 21 aos 45 anos, com pico dos 31 aos 35, que reúne 1.183 ocorrências. O padrão indica predominância de casos envolvendo mulheres em idade adulta, mas os registros, no geral, envolvem meninas e mulheres em grupos que vão de 0 aos 95 anos. O recorte por cor da pele mostra maior concentração entre vítimas brancas, que representam 44,32% do total. Em seguida aparecem mulheres pardas, com 25,75%, e as classificadas como "ignorado", que correspondem a 24,77% dos registros. Mulheres pretas representam 4,89% dos casos, enquanto mulheres amarelas somam 0,24%.
Violência psicológica em destaque
Na região de Piracicaba (SP), abrangida pelo Deinter-9, o número de ocorrências no mesmo período foi de 5,4 mil. A delegada Olívia Fonseca, da Delegacia de Defesa da Mulher, diz que tem notado, principalmente, o aumento no número de casos que vão além da violência física. "Só se considerava violência o que deixava marca na pele, lesão corporal. Hoje com as campanhas de conscientização, a gente está mostrando para as mulheres que a violência começa muito antes da agressão física. Começa no abuso psicológico, na humilhação e no comportamento vexatório", afirmou.
Importância da denúncia
Olívia lembra que denunciar esses casos é fundamental para sair do ciclo de violência. "Tem que procurar a delegacia, tem que denunciar. Se não quiser procurar a delegacia, pode ligar no 180, pode fazer via DDM online. O que interessa é comunicar essa violência". "A mulher que se cala, o silêncio mata. O melhor é sempre a denúncia, prioritariamente", completou a delegada.



