Homem invade e destrói terreiro de umbanda com ataques violentos e discurso de ódio em Presidente Prudente
Um caso grave de intolerância religiosa e vandalismo chocou a comunidade do Conjunto Habitacional "Ana Jacinta", em Presidente Prudente, interior de São Paulo. Um homem invadiu e destruiu a frente de um terreiro de umbanda, atacando o portão com um pedaço de madeira enquanto xingava os moradores, chamando-os de "demônios" e "satanás". As câmeras de segurança do local registraram todo o ataque, que ocorreu durante a madrugada.
Detalhes do ataque violento registrado pelas câmeras
Segundo o boletim de ocorrência registrado na segunda-feira, 16 de setembro, o homem teria invadido o terreiro pela primeira vez por volta das 5 horas da madrugada, sendo retirado pelos responsáveis que moram no local. Horas depois, ele retornou armado com um pedaço de madeira e iniciou um ataque violento contra o portão da residência, momento que foi capturado pelas câmeras de segurança. Posteriormente, os moradores descobriram que tijolos também foram quebrados na frente da casa.
Wellington Santos, de 35 anos, responsável pela casa de tradição iorubá, manifestou profunda preocupação com a situação. "Sentimento de medo e de estarmos sozinhos, sem nenhuma autoridade para nos defender. Temos medo de que aconteça novamente", declarou ao g1. Ele e o esposo moram há nove anos no endereço e nunca haviam enfrentado algo semelhante. O suspeito seria morador do mesmo bairro.
Espaço sagrado violado e impacto na comunidade religiosa
A área vandalizada pelo homem é conhecida como entrada do "lle", que, segundo o bàbáláwo Wellington, é o espaço sagrado e morada das divindades. A casa segue com o nome Ile Egbe Orúnmila ifa, sendo Orúnmila a divindade da sabedoria e do destino na cultura iorubá. Wellington pratica religião de matriz africana há mais de 20 anos e vem de uma família com adeptos de diferentes crenças que sempre viveram em harmonia.
"Na minha família tem adeptos tanto da umbanda e candomblé como evangélicos, e sempre vivemos em harmonia. Pois a nossa cultura nos ensina o amor e a ser pessoas melhores todos os dias", reforçou o líder religioso. Apesar do medo, ele afirmou que não vão parar com as atividades do terreiro.
Investigação policial e enquadramento legal dos crimes
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia Civil de Presidente Prudente com múltiplas tipificações criminais:
- Dano ao patrimônio
- Ameaça
- Preconceito de raça ou cor
- Discriminação religiosa
- Injúria
- Violação de domicílio
A investigação segue em andamento e, até o momento da última atualização, ninguém havia sido preso. A intolerância religiosa é crime equiparado ao racismo pela Lei nº 7.716/1989, com pena de dois a cinco anos de prisão. O vandalismo também é tipificado como "dano" no artigo 163 do Código Penal, com detenção de um a seis meses ou multa.
Contexto nacional da intolerância religiosa no Brasil
Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania revelam que a intolerância religiosa é uma violação recorrente no país. Entre janeiro de 2025 e 2026, o Disque 100 registrou 2.774 denúncias relacionadas ao tema, com impacto desproporcional sobre religiões de matriz africana. As violações motivadas por intolerância religiosa reforçam a necessidade de ações contínuas de prevenção, proteção e promoção da liberdade religiosa.
O caso em Presidente Prudente exemplifica como ataques a terreiros e espaços sagrados de religiões afro-brasileiras continuam ocorrendo, gerando medo e insegurança nas comunidades religiosas. As autoridades seguem investigando o ocorrido enquanto a comunidade local se mobiliza para oferecer apoio às vítimas deste ato de violência e preconceito.



