TikTok age contra trend violenta após investigação da Polícia Federal
O TikTok iniciou nesta terça-feira, 10 de março de 2026, a remoção de vídeos da trend "caso ela diga não", que vinha ganhando popularidade nas redes sociais. A decisão da plataforma ocorreu após a abertura de uma investigação pela Polícia Federal, que determinou a preservação dos dados dos usuários responsáveis pelo conteúdo considerado violento e misógino.
Conteúdo violento disfarçado de humor
Nos vídeos que compunham a trend, homens encenavam atos de violência como socos, chutes e facadas, simulando reações a negativas de pedidos de namoro ou casamento. Apesar do tom humorístico adotado nas publicações, as cenas retratavam situações reais de violência que vitimam milhares de mulheres diariamente no Brasil.
"Os conteúdos que violam nossas Diretrizes da Comunidade foram removidos da plataforma assim que identificados. Nosso time de moderação segue atento e trabalhando para identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema. Não permitimos discurso de ódio, comportamento violento e de ódio ou promoção de ideologias de ódio", afirmou o TikTok em nota oficial.
Investigação da Polícia Federal
A Polícia Federal confirmou que solicitou à plataforma tanto a preservação dos dados dos usuários quanto a retirada do material considerado ofensivo. Durante a análise inicial, foram identificados outros vídeos vinculados à mesma tendência, que também foram reportados e removidos do ar.
"A Polícia Federal solicitou à plataforma a preservação dos dados e a retirada do material. Durante a análise, também foram identificados outros vídeos vinculados à mesma tendência, que foram igualmente reportados e removidos. As informações reunidas serão analisadas para a adoção das medidas cabíveis", declarou a corporação em comunicado oficial.
Contexto preocupante de violência contra mulheres
A remoção da trend ocorre em um momento particularmente sensível no Brasil, onde quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia, segundo dados oficiais. A discussão sobre violência de gênero ganhou ainda mais destaque após o estupro coletivo de uma jovem de 17 anos em Copacabana, que chocou o país pela crueldade das agressões.
Um dos envolvidos nesse caso, Vitor Hugo Simonin, foi preso usando uma camiseta com a frase "regret nothing" (não se arrepender de nada), slogan de um influenciador misógino popular nas redes sociais. Esse episódio, assim como a trend "caso ela diga não", alerta para a existência de redes de disseminação de discurso de ódio que podem sustentar atos de violência fora do ambiente digital.
Circulação em outras plataformas
Apesar da remoção dos vídeos no TikTok, o conteúdo continua circulando em outras redes sociais, especialmente no X (antigo Twitter). A persistência desse material em diferentes plataformas demonstra os desafios enfrentados pelas empresas de tecnologia no combate à disseminação de conteúdo violento e misógino.
Especialistas em direito digital lembram que a apologia a crime está prevista no Código Penal brasileiro e pode resultar em pena de até três meses de detenção. A atuação conjunta entre autoridades policiais e plataformas digitais representa um passo importante no enfrentamento à normalização da violência contra mulheres nas redes sociais.



