Tenente-coronel proibiu separação dias antes de matar esposa, revelam mensagens
Tenente-coronel proibiu separação antes de matar esposa

Tenente-coronel proibiu separação dias antes de matar esposa, revelam mensagens

Cinco dias antes de ser assassinada, a soldado Gisele Alves informou ao marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, que estava "praticamente solteira". O oficial respondeu com uma ameaça direta: "Jamais! Nunca será!". Essa troca de mensagens por WhatsApp, acessada pela Polícia Civil, comprova que Geraldo não aceitava a separação e estava disposto a impedi-la a qualquer custo.

Prisão preventiva e acusações graves

Geraldo Neto foi preso preventivamente na quarta-feira, 18 de março, acusado de matar Gisele com um tiro na cabeça durante uma discussão no apartamento do casal, localizado no Brás, região central de São Paulo. Atualmente, ele está detido no presídio militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital paulista. No mesmo dia, a Justiça o tornou réu por feminicídio, crime definido como assassinato de mulher por razões de gênero, incluindo violência doméstica e discriminação, e por fraude processual, por ter alterado a cena do crime para simular um suicídio.

De acordo com o Ministério Público, o crime ocorreu em um contexto de relação abusiva, marcada por abuso psicológico, machismo, controle financeiro, ciúme patológico e a decisão firme da vítima de pedir o divórcio. As mensagens trocadas entre o casal revelam um perfil autoritário e controlador de Geraldo, que se autodenominava "macho alfa" e exigia que Gisele fosse uma "fêmea beta obediente e submissa".

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Mensagens revelam comportamento controlador e ameaças

Nas conversas, Gisele escreveu claramente: "Quero o divórcio" e pediu que os documentos fossem enviados naquela semana, reafirmando: "Se considere divorciado". Em resposta, Geraldo impunha regras rígidas, como proibi-la de cumprimentar outros homens com beijo no rosto ou usar roupas justas. Ele declarou: "Lugar de mulher é em casa cuidando do marido e não na rua caçando assunto" e "Rua é lugar de mulher solteira a procura de macho".

Além disso, o oficial cobrava relações sexuais como contrapartida por sustentar a casa, afirmando: "Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo". Quando Gisele criticou seu comportamento, ele se descreveu como "Rei, Religioso, Honesto, Trabalhador, Inteligente, Saudável, Bonito, Gostoso, Carinhoso, Romântico, Provedor, Soberano".

Investigacão descarta suicídio e aponta feminicídio

Laudos periciais e reproduções simuladas indicam que Geraldo segurou a cabeça de Gisele e atirou nela com sua própria arma, descartando a hipótese de suicídio. O Ministério Público alega que, após o crime, o oficial manipulou a cena, colocando a arma na mão da vítima, escondendo o estojo deflagrado e tomando banho para eliminar vestígios, o que fundamenta a acusação de fraude processual.

O Tribunal de Justiça Militar determinou a prisão para garantir a ordem pública e a preservação da hierarquia, já que Geraldo é oficial e Gisele era sua subordinada na Polícia Militar. Ele foi detido em São José dos Campos, interior de São Paulo, e a decisão incluiu apreensão de celulares e quebra de sigilo de dados eletrônicos.

Processo judicial e indenização

Futuramente, a Justiça comum e a Justiça Militar decidirão qual jurisdição será responsável pelo julgamento. Como o feminicídio é considerado crime doloso contra a vida e não um crime militar, a tendência é que o processo siga na Justiça comum, onde Geraldo poderá ser julgado pelo Tribunal do Júri. A Promotoria pediu uma indenização mínima de R$ 100 mil aos familiares de Gisele em caso de condenação.

Este caso é emblemático, pois, segundo o secretário-executivo da Secretaria da Segurança Pública, coronel Henguel Pereira, é o primeiro envolvendo um oficial da Polícia Militar de São Paulo preso por feminicídio desde 2015, quando o crime passou a ser previsto na legislação brasileira. A defesa de Geraldo nega as acusações, questiona a competência da Justiça Militar e alega que informações descontextualizadas têm violado seus direitos fundamentais.

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