Tenente-coronel, marido de PM morta, recebe visita após pedido de prisão em São José dos Campos
Tenente-coronel, marido de PM morta, recebe visita após pedido de prisão

Tenente-coronel da PM recebe visita após pedido de prisão por suspeita de feminicídio

Imagens registradas na tarde desta terça-feira (17) revelam o tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto recebendo um visitante no prédio onde possui um apartamento, localizado em São José dos Campos, no interior de São Paulo. A cena ocorre após a Polícia Civil solicitar formalmente à Justiça a prisão do oficial, suspeito de envolvimento na morte de sua esposa, a soldado Gisele Alves Santana.

Detalhes do caso e investigação em andamento

Gisele Alves Santana foi encontrada morta com um tiro na cabeça no dia 18 de fevereiro, dentro do apartamento do casal na capital paulista. O tenente-coronel foi quem acionou a Polícia Militar às 7h57 do dia do ocorrido, pedindo socorro. Inicialmente, o caso foi tratado como possível suicídio, mas posteriormente a investigação passou a considerar a hipótese de feminicídio, após decisão judicial que alterou o rumo das apurações.

O imóvel onde Geraldo Leite Rosa Neto foi filmado fica em um condomínio no bairro Jardim Augusta, na região central de São José dos Campos. Nas imagens, ele aparece na portaria para encontrar um visitante que vestia uma camiseta de uma igreja evangélica. Tanto o tenente-coronel quanto seu acompanhante evitaram qualquer contato com a imprensa presente no local.

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Versões conflitantes e laudos periciais

A defesa do tenente-coronel mantém a tese de que a soldada cometeu suicídio, afirmando aguardar a conclusão dos laudos periciais para comprovar essa versão. "A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil com a juntada de todos os laudos e externa a confiança na palavra do coronel: de que trata-se de suicídio", declarou ao g1 o advogado Eugênio Malavasi, representante legal do oficial.

Por outro lado, a família da vítima e seu advogado contestam veementemente essa narrativa, sustentando que Gisele foi vítima de feminicídio. "Eu não tenho dúvidas que ele [coronel Geraldo] matou ela [Gisele]. Mas cabe à polícia provar", afirmou o advogado José Miguel da Silva Júnior, que defende os interesses dos familiares da soldado morta.

Problemas no relacionamento e histórico preocupante

Mensagens trocadas por Gisele com uma amiga, divulgadas pela defesa da família, indicam que a policial militar enfrentava sérias dificuldades no relacionamento conjugal. Em um dos trechos, ela chega a afirmar: "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata". Em depoimento, a mãe da vítima relatou que a filha vivia um relacionamento abusivo, caracterizando o oficial como controlador e violento.

Laudos periciais já realizados apontaram a presença de lesões no rosto e no pescoço da policial, além de indicarem que o disparo foi feito à queima-roupa. Outro dado relevante é a ausência de vestígios de pólvora nas mãos de Gisele, fato que levanta questionamentos sobre a hipótese inicial de suicídio.

Andamento processual e expectativas

A delegacia responsável pela investigação aguarda resultados de laudos complementares da Polícia Técnico-Científica para concluir o inquérito e definir se a morte da soldado configura suicídio ou crime de feminicídio. Enquanto isso, a Polícia Civil já solicitou o mandado de prisão contra o tenente-coronel, mas ainda não há confirmação oficial sobre seu eventual cumprimento.

O caso continua a mobilizar atenção pública e institucional, especialmente por envolver membros da corporação policial e suspeitas de violência doméstica culminando em morte. A soldado Gisele Alves Santana deixa uma filha de sete anos, ampliando as dimensões humanas e sociais desta trágica ocorrência.

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