Tenente-coronel da PM é preso por suspeita de feminicídio da esposa, soldado Gisele, em São José dos Campos
Tenente-coronel da PM preso por suspeita de feminicídio em SP

Tenente-coronel da PM é preso por suspeita de feminicídio da esposa em São José dos Campos

O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto foi preso na manhã desta quarta-feira (18) em São José dos Campos, no interior de São Paulo. O oficial é suspeito de cometer feminicídio e fraude processual pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado.

Detenção ocorreu em apartamento no centro da cidade

Por volta das 8h12, um comboio com agentes da Polícia Civil e da corregedoria da PM chegou ao apartamento do indiciado, localizado na rua Roma, no Jardim Augusta, região central de São José dos Campos. A prisão foi realizada após decisão da Justiça Militar, com aval do Ministério Público de São Paulo.

Geraldo mantinha o imóvel na cidade por já ter trabalhado no município, onde estava desde o início do mês, após pedir afastamento das funções pela morte da esposa. Vizinhos relataram que ele mantinha uma rotina considerada comum, frequentava comércios da região e costumava sair à noite para buscar a filha na faculdade.

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Laudos periciais foram determinantes para prisão

A decisão das autoridades aconteceu após a Polícia Técnico-Científica anexar ao processo laudos relacionados ao caso. Dois elementos foram especialmente relevantes:

  • A trajetória da bala que atingiu a cabeça da vítima
  • A profundidade dos ferimentos encontrados

Com base nessas evidências, o delegado concluiu que Gisele não cometeu suicídio. Os documentos também confirmaram que a soldado não estava grávida e não foi dopada, mas revelaram a presença de manchas de sangue espalhadas por outros cômodos do apartamento onde ela morreu.

Carreira militar de mais de duas décadas

Geraldo Leite Rosa Neto é natural de Taubaté, município vizinho de São José dos Campos. Ele ingressou na Academia da Polícia Militar do Barro Branco em 1995, principal centro de formação de oficiais da corporação em São Paulo.

Após a formação, retornou para Taubaté e, em 2006, atuou como Tenente do 5° Batalhão da PM. Em 2009, passou a atuar em São José dos Campos, no 1° Batalhão. Em 2013, foi promovido a Capitão em Taubaté, retornando a São José no ano seguinte.

Em 2015, foi nomeado representante titular do Conselho Municipal de Atenção às Drogas de São José e, em 2018, participou do processo de implantação do programa da Atividade Delegada do município. O oficial também teve passagens pela corporação no litoral paulista, até ser transferido novamente para a capital em 2020.

Com mais de 20 anos de carreira na PM, atuou no Vale do Paraíba, capital e Litoral Norte, chegando a comandar a Companhia de Força Tática em São José dos Campos. Nos últimos meses, já atuando na capital, recebia salário líquido de cerca de R$ 17,2 mil mensais.

Cronologia do caso e posicionamentos das partes

O caso ocorreu na manhã do dia 18 de fevereiro. O corpo da vítima foi exumado, e o laudo necroscópico apontou que havia lesões no rosto e no pescoço da mulher. Inicialmente registrado como suicídio, o caso passou a ser investigado como possível feminicídio após decisão judicial.

Apesar da conclusão do laudo toxicológico, que não indicou o consumo de drogas ou bebidas por Gisele, e da liberação de outros exames que somam cerca de 70 páginas, a delegacia aguarda ainda mais resultados complementares do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC) para concluir o inquérito. Esses documentos devem esclarecer a dinâmica do disparo ocorrido há um mês.

A defesa do tenente-coronel sustenta que a soldada tirou a própria vida e diz aguardar a conclusão dos laudos periciais. O advogado Eugênio Malavasi, que defende Geraldo, afirmou que a Justiça Militar é incompetente para analisar, processar e julgar o caso e, especialmente, para decretar medidas cautelares. O criminalista disse que vai suscitar conflito de competência com a Justiça comum (Tribunal do Júri).

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Já a família da vítima contesta essa versão e afirma que Gisele foi vítima de feminicídio. O advogado José Miguel da Silva Júnior, que representa a família de Gisele, celebrou a prisão de Geraldo: "Desde o início a família não acreditou que a Gisele poderia ter cometido suicídio, no primeiro contato na delegacia a mãe disse isso em depoimento e nós buscamos demonstrar o perfil do coronel. A gente aguarda agora que ele responda, que ele seja denunciado formalmente pelo Ministério Público, seja processado, vá a júri e seja condenado. Isso é o que espera a família".

Investigacão continua com novos elementos

As autoridades seguem analisando todos os aspectos do caso, que tem mobilizado as polícias civil e militar da região. A complexidade da investigação, envolvendo um oficial de alta patente da corporação, tem chamado a atenção para os procedimentos internos da PM e os mecanismos de investigação de crimes dentro da própria instituição.

O tenente-coronel permanece preso enquanto as investigações avançam e novas provas são coletadas. O caso representa um dos episódios mais graves envolvendo membros da Polícia Militar paulista nos últimos anos, colocando em evidência questões de violência doméstica e responsabilidade institucional.