Suspeito de violência doméstica e estupro é preso pela PF em caso que envolve morte de acreana
Suspeito de violência doméstica é preso pela PF em caso de morte

Suspeito de violência doméstica e estupro é preso pela Polícia Federal em caso que envolve morte de acreana

Thiago Augusto Sampaio Borges, de 43 anos, investigado pela morte da acreana Joycilene Sousa de Araújo, de 41 anos, foi preso pela Polícia Federal em Natal, no Rio Grande do Norte. A prisão ocorreu em cumprimento a um mandado de prisão preventiva expedido pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais, referente aos crimes de violência doméstica e estupro. A informação foi confirmada por decisão da Justiça potiguar, obtida com exclusividade pelo g1, que comunicou o cumprimento da ordem judicial. A reportagem não conseguiu contato com a defesa do suspeito.

Contexto do caso: acusações de violência psicológica e patrimonial

A família de Joyce, como era conhecida, acusa Thiago Augusto Sampaio Borges, então namorado da vítima, de indução ao suicídio, violência psicológica e patrimonial, estimada em R$ 200 mil. A acreana morreu no dia 17 de novembro de 2024, no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre, em decorrência de uma parada cardíaca causada pela ingestão de comprimidos de uso controlado, uma semana antes. O g1 chegou a conversar com Thiago na época, com exclusividade, e ele disse que está sendo vítima de calúnia e difamação. Depois, desativou as redes sociais.

De acordo com os autos, a prisão foi realizada na capital potiguar em 13 de fevereiro, onde o investigado foi localizado e encaminhado à Superintendência Regional da Polícia Federal. O mandado foi expedido no âmbito de uma investigação que apura o crime de divulgação de cena de estupro, sexo ou pornografia, supostamente praticado no contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher, conforme previsto na Lei Maria da Penha. A Justiça do Rio Grande do Norte não analisa o mérito do caso, mas atuou no cumprimento das determinações judiciais, já que o processo principal tramita em Minas Gerais.

Processos em andamento e diligências judiciais

O g1 entrou em contato com a assessoria de comunicação do Ministério Público do estado mineiro, que disse que aguarda retorno da promotoria de Itabira, de onde parte o processo. Ao g1, a Polícia Civil do Acre informou que a prisão de Thiago não interfere no andamento do processo na jurisdição local, que segue em tramitação. Também consta em outro processo relacionado que uma carta precatória foi encaminhada à comarca de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, para o cumprimento de diligências ligadas ao mesmo caso.

Inicialmente distribuída a uma vara criminal comum, a magistrada declinou da competência e determinou o envio ao Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, por se tratar de crime enquadrado na Lei Maria da Penha. A prisão preventiva é uma medida cautelar decretada antes do julgamento, quando a Justiça entende que há elementos que indicam a necessidade de garantir a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal. Até a última atualização desta reportagem, o investigado permanecia custodiado no Rio Grande do Norte, à disposição da Justiça de Minas Gerais, que conduz o processo principal.

Audiência marcada por desobediência e detalhes do caso

A Justiça de Itabira, em Minas Gerais, havia marcado, para 7 de maio de 2026, a audiência de instrução do processo em que Thiago Borges responde pelos crimes de desobediência e falsa identificação durante cumprimento de diligência policial na cidade mineira. O caso tem relação com o processo do Caso Joyce, com quem Thiago mantém vínculo na ação que investiga violência psicológica e patrimonial.

Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público de Minas Gerais, o episódio envolvendo desobediência ocorreu em 17 de dezembro de 2024, quando policiais civis foram até o bairro Barreiro, em Itabira, para entregar uma intimação ao investigado. Naquele dia, Thiago teve o celular e o carro apreendidos, sendo este último em razão do processo envolvendo o caso Joyce, uma vez que a Justiça acreana emitiu um mandado de busca e apreensão do veículo. Foi por este motivo que os policiais se deslocaram até o local para cumprir a ordem judicial.

"Por se tratarem de crimes de menor potencial ofensivo, um termo circunstanciado e ocorrência foi assinado, ficando o suspeito comprometido a comparecer perante o Tribunal Especial Criminal do município", disse o delegado Diogo Luna, de Itabira, ao g1.

Família busca justiça e detalhes do caso Joyce

Mais de um ano após a morte da acreana Joycilene Sousa de Araújo, de 41 anos, a família da gerente segue em busca por justiça ao passo que lida com o luto. O caso segue em segredo de justiça e, segundo a irmã, Jaqueline Sousa, a luta é para que Joyce 'não seja uma mera estatística de morte autoprovocada'. Joycilene Sousa de Araújo morreu no dia 17 de novembro de 2024 após uma parada cardíaca decorrente de uma tentativa de suicídio uma semana antes.

Antes da morte dela, mesmo ainda mantendo contato com Thiago, Joyce estava decidida a pedir uma medida protetiva contra ele e tentar reaver o carro que estava sob posse dele. Na madrugada do dia 11 daquele mês, por volta das 2h, Joyce se dirigiu até a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher para fazer o pedido da medida e poder dar entrada no pedido de devolução do veículo.

O carro apreendido, avaliado em R$ 100 mil, foi retirado em Belo Horizonte, Minas Gerais. Segundo a família, ele deu a ideia de comprar o veículo no nome dela, já que ele supostamente recebe um benefício do Instituto Nacional do Seguro Social por burnout, e isto impossibilitaria de colocar a despesa no nome dele. O boleto veio para Rio Branco.

Thiago veio ao Acre duas vezes: em maio, quando conheceu Joyce presencialmente; e no final de setembro para início de outubro, quando ocorreu os supostos episódios de importunação sexual contra a filha de Joyce, no dia 4, e uso de cocaína dentro da casa dela. Em busca por respostas, a família decidiu expor o caso nas redes sociais. Depois da pressão popular, o caso agora está sendo acompanhado pelo Ministério Público do Acre.