Suspeito de feminicídio de candidata ao Miss Cosmo se suicida em cela no Rio
Suspeito de feminicídio se suicida em cela após morte de miss

Suspeito de feminicídio de candidata ao Miss Cosmo se suicida em cela da delegacia no Rio

Endreo Lincoln Ferreira da Cunha, o homem preso pelo feminicídio da modelo e candidata ao Miss Cosmo Ana Luiza Mateus, de 29 anos, morreu ao se enforcar na cela da Delegacia de Homicídios do Rio de Janeiro nesta quarta-feira (22). Segundo informações da polícia, ele utilizou uma bermuda para cometer o ato no fim da tarde, e o local passou por perícia criminal no início da noite.

O suspeito havia sido preso em flagrante e, durante interrogatório, assumiu responsabilidade pela morte de Ana Luiza, embora não tenha confessado explicitamente o crime. O delegado Renato Martins, da Delegacia de Homicídios, relatou que Endreo declarou: "Eu sou o culpado, independentemente de eu ter feito ou não alguma coisa, eu sou o culpado disso tudo". Martins destacou que o acusado proferiu uma série de impropérios contra a vítima, com violência moral e psicológica extremamente abusiva.

Relação conflituosa e briga por término

Endreo contou à polícia que ele e Ana Luiza namoravam há três meses e que a briga que antecedeu a morte da modelo ocorreu porque ela desejava terminar o relacionamento. Testemunhas relataram ao g1 que viram o casal chegar discutindo ao condomínio Alfapark, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio. Após a discussão, o namorado deixou o prédio sozinho, mas retornou posteriormente, conforme apurado pela investigação.

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Funcionários do condomínio orientaram Ana Luiza a deixar o local caso Endreo voltasse, e ela informou que havia comprado uma passagem para retornar à Bahia, onde era natural de Teixeira de Freitas. No entanto, decidiu permanecer no imóvel, de onde caiu do 13º andar por volta das 5h30 da manhã. O voo para a Bahia estava marcado para a madrugada do mesmo dia.

Investigação aponta relação abusiva e ciúmes doentios

O delegado Renato Martins afirmou que diversas testemunhas independentes descreveram o relacionamento do casal como muito conflituoso e abusivo. "Havia entre eles uma relação muito abusiva, e uma discussão acalorada há alguns dias e nesta madrugada especialmente houve uma espécie de guerra entre eles que foi muito ouvida por vizinhos e funcionários", disse o delegado.

Além dos relatos, a polícia coletou mensagens trocadas entre a vítima, parentes, amigos e o próprio Endreo, que convergem para indiciar o suspeito como partícipe do feminicídio. Martins acrescentou que Endreo confirmou ter ciúmes doentios de Ana Luiza, motivados pela beleza e boas relações sociais dela, o que teria levado às constantes brigas.

O delegado também revelou que o suspeito alterou a cena do crime, movendo o corpo da vítima e tentando sair pela porta dos fundos do condomínio, o que configura violação da prova processual. A perícia já foi realizada no local, e depoimentos estão sendo colhidos pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Repercussão e nota do Miss Cosmo Brasil

Ana Luiza Mateus era candidata inscrita ao título de Miss Cosmo Brasil 2026, representando o estado da Bahia. O Miss Cosmo é um concurso de beleza internacional realizado anualmente em Ho Chi Minh, no Vietnã, e o Brasil realiza uma seleção nacional para escolher sua representante.

A organização Miss Cosmo Brasil divulgou uma nota lamentando profundamente a morte da candidata, expressando solidariedade aos familiares e amigos. "Ana Luiza era uma jovem em ascensão que construía com esforço e talento sua trajetória no universo Miss. O caso convoca a uma reflexão urgente sobre a violência contra a mulher no Brasil", afirmou a nota, assinada pelo CEO Fabrício Granito.

Endreo Lincoln Ferreira da Cunha constava como sócio em uma empresa de atendimento a veículos em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, e os documentos de identificação dele eram originários desse estado. A polícia ressaltou que sua declaração na delegacia não foi uma confissão formal, mas sim um desabafo, embora as evidências apontem para sua participação no crime.

O caso continua sob investigação, com foco nos detalhes da relação abusiva e nas circunstâncias que levaram à tragédia, destacando a gravidade do feminicídio e a necessidade de combate à violência doméstica no país.

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