Suspeito de feminicídio permanece foragido no Acre após romper tornozeleira eletrônica
Após mais de três meses de investigações, a Polícia Civil do Acre concluiu o inquérito sobre o assassinato de Maria da Conceição Ferreira da Silva, de 46 anos, ocorrido em Rio Branco. O principal suspeito, Antônio José Barbosa Pinto, de 54 anos, foi indiciado por feminicídio, mas segue foragido desde o dia do crime, em 13 de dezembro de 2024.
Detalhes do crime e fuga do suspeito
Maria da Conceição foi encontrada morta dentro de casa pela filha por volta das 12h20 do dia 13 de dezembro. A jovem havia ido ao local para comemorar o aniversário da mãe e, ao chegar, percebeu o portão e a porta dos fundos abertos. No quarto, encontrou a vítima caída ao lado da cama, de bruços e com sangue no local. Próximo ao corpo, havia uma faca, apontada como a arma usada no crime.
A perícia inicial indicou que Maria da Conceição sofreu cerca de cinco golpes de faca na região do tórax. Câmeras de segurança da residência foram desligadas antes do crime, conforme consta nos autos do inquérito policial.
Antônio José Barbosa Pinto, que mantinha um relacionamento com a vítima e era irmão do falecido marido dela, rompeu a tornozeleira eletrônica às 4h37 do mesmo dia, conforme registrado pelo Sistema de Monitoramento Penitenciário. Desde então, não foi mais visto ou localizado pelas autoridades.
Histórico de violência e motivação do crime
Segundo a polícia, o crime foi motivado por ciúmes e envolveu um homem que mantinha relacionamento com a ex-esposa do suspeito. Antônio já usava tornozeleira eletrônica após matar o amante da ex-mulher em um caso anterior, o que demonstra um histórico de violência.
Vizinhos relataram à polícia episódios de agressividade por parte do suspeito, reforçando a linha de investigação de que o feminicídio foi o ápice de um histórico de violência doméstica. Maria da Conceição era viúva e sua morte representa o 14º feminicídio registrado no Acre em 2025, destacando a gravidade do problema no estado.
Busca pelo foragido e medidas judiciais
A Justiça do Acre expediu um mandado de prisão desde a data do crime, mas Antônio continua desaparecido. A Polícia Civil solicita que a população colabore com informações sobre o paradeiro do suspeito, que podem ser repassadas anonimamente pelo número 181.
"Não é necessário se identificar para fazer a denúncia, e qualquer informação pode ser crucial para a captura do suspeito", reforçam as autoridades.
Canais de denúncia e apoio às vítimas
Em meio a esse caso, a Polícia Militar do Acre disponibiliza números de contato para que mulheres em situação de risco peçam ajuda:
- Polícia Militar - 190: para situações de risco imediato;
- Disque 100: recebe denúncias anônimas de violações de direitos humanos;
- Secretaria de Estado da Mulher (Semulher): (68) 99930-0420;
- WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008.
Profissionais de saúde também têm a obrigação de fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência, encaminhando aos conselhos tutelares e polícia.
O caso de Maria da Conceição reforça a necessidade de atenção e ação contra a violência doméstica no Acre, estado que registrou 14 feminicídios em 2025, a maior taxa do país neste ano.



