Suspeito de agredir mãe idosa é assassinado a tiros em ferro-velho de Uberaba
Márcio Luiz Silva, de 42 anos, foi assassinado a tiros na noite de domingo (29), em um ferro-velho localizado no bairro Abadia, em Uberaba, Minas Gerais. Ele era apontado como o principal suspeito de ter agredido a própria mãe, uma idosa de 69 anos, na última segunda-feira (23). A mulher chegou a ser internada, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia seguinte, em um caso que chocou a comunidade local.
Detalhes do assassinato no ferro-velho
De acordo com a Polícia Militar, o dono do estabelecimento relatou que Márcio Luiz estava no local vendendo sucata. Ele havia negociado o valor de R$ 4,75 e já tinha recebido R$ 4. O proprietário contou que, ao se dirigir aos fundos do imóvel para buscar o restante do dinheiro, um homem entrou correndo e começou a atirar. Em seguida, o suspeito fugiu em uma moto, deixando a vítima à morte.
O Samu confirmou o óbito de Márcio ainda no ferro-velho. Segundo a perícia da Polícia Civil, ele apresentava ferimentos nas mãos, braços, tórax e cabeça. O perito não informou quantos tiros atingiram o homem, mas disse que foram encontrados 12 cartuchos de munição calibre 9 mm, sendo dois intactos e os demais deflagrados, indicando uma ação violenta e premeditada.
Contexto de violência e ameaças anteriores
Na segunda-feira (23), Márcio Luiz foi espancado por pessoas que souberam da agressão à mãe idosa, da qual ele é apontado como responsável. Devido aos ferimentos, mesmo após receber voz de prisão em flagrante por lesão corporal, ele permaneceu internado sob escolta policial no Hospital Regional de Uberaba.
Segundo o boletim de ocorrência, na última quarta-feira (25), um homem não identificado foi ao hospital para saber onde Márcio estava. Diante da recusa dos funcionários em informar a localização exata, ele teria dito que “terminaria o que tinha começado”, em referência às agressões contra Márcio na segunda-feira, revelando um clima de tensão e vingança.
Em nota, a Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) informou que Márcio Luiz não deu entrada no sistema prisional entre a data da internação e o assassinato. A Polícia Civil investiga o caso desde o registro da agressão à idosa, mas ainda não confirmou se Márcio chegou a ser preso formalmente pelo crime.
Agressão à mãe idosa e versões conflitantes
Na manhã de segunda-feira (23), a Polícia Militar foi chamada até a UPA do Mirante, onde a idosa deu entrada como vítima de agressão física. No local, outros dois filhos da mulher, que não estavam na casa, relataram aos militares que um irmão — que eles dizem ser usuário de drogas — seria o responsável pelos ferimentos na vítima.
Segundo eles, a mãe é acamada e tem dificuldade de locomoção. Na segunda-feira, ela teria usado a cadeira de rodas para ir ao banheiro, mas caiu dentro do cômodo. Ainda conforme os relatos, a vítima pediu ajuda ao filho que mora com ela, mas ele teria se recusado a prestar socorro. Os filhos também disseram que, diante da insistência da mãe, o suspeito teria se irritado e arremessado diversos objetos da casa contra a idosa, provocando vários ferimentos.
Ao saberem da situação, eles foram até a residência e acionaram o Samu para socorrer a mãe. Os militares chegaram a conversar com a idosa, mas ela estava sob efeito de medicamentos e apresentou versões confusas: em alguns momentos, afirmou ter sido agredida pelo filho; em outros, disse que havia apenas caído da cadeira de rodas.
A equipe médica da UPA do Mirante informou aos militares que a idosa apresentava várias lesões pelo corpo, inclusive nas costas e na barriga. Também foi relatado que a região íntima apresentava inchaço, vermelhidão e cortes superficiais, sugerindo violência grave. No dia seguinte à internação, a idosa não resistiu aos ferimentos e morreu, elevando a gravidade do caso.
Linchamento e negação do suspeito
Um irmão do suspeito contou à Polícia Militar que o homem foi espancado por pessoas que souberam das possíveis agressões contra a idosa. Márcio Luiz foi socorrido e levado ao Hospital Regional, onde deu entrada com cortes, diversas fraturas e hemorragia. O homem permaneceu em observação, sob escolta policial, até o momento do assassinato.
Aos militares, o suspeito negou ter agredido a mãe e afirmou que a idosa se machucou ao cair da cadeira de rodas, contradizendo as acusações dos familiares. A investigação da Polícia Civil continua para esclarecer todos os detalhes deste trágico episódio que envolve violência doméstica, justiça pelas próprias mãos e um desfecho fatal.



