Mãe denuncia suspeita de agressão a criança autista em creche municipal de Glicério (SP)
Uma mãe registrou um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia de Glicério, no interior de São Paulo, suspeitando de agressão contra seu filho de cinco anos, que possui Transtorno do Espectro Autista (TEA), em uma creche municipal da cidade. O caso ocorreu na Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Joana Morelli da Cunha, onde o menino estuda, e está sendo investigado pela Polícia Civil como lesão corporal.
Detalhes do incidente e relato da mãe
O episódio aconteceu no dia 27 de fevereiro, mas foi comunicado às autoridades policiais apenas no dia 5 de março. Segundo a mãe, ao buscar o filho na creche, ela notou um corte na boca da criança. Ao questioná-lo, o menino inicialmente informou que havia sido atingido por uma das professoras e chegou a apontar a suspeita. Intrigada com a situação, a mãe afirmou aos policiais que conversou com a funcionária, que negou ter causado o ferimento.
Em seguida, a mãe relatou que questionou o filho novamente, e ele disse que a professora havia passado a mão em seu rosto, o que teria ocasionado o machucado. Mãe e filho foram então à diretoria da escola, onde conversaram com a responsável, que se comprometeu a apurar os fatos. No dia 4 de março, a mãe procurou o conselho tutelar, que compareceu à escola e se reuniu com a direção e a professora envolvida.
Versão da professora e ações tomadas
Durante a reunião com o conselho tutelar, a professora admitiu que pode ter machucado a boca da criança ao limpar uma secreção no rosto dela, mas afirmou que não foi proposital. Na ocasião, ficou decidido que a psicóloga da escola conversaria com a criança para que ela relatasse o ocorrido de forma mais detalhada. A mãe, no entanto, procurou a polícia por considerar que houve omissão da creche em solucionar o caso de maneira adequada e rápida.
Ela destacou que seu filho tem TEA, o que pode tornar a comunicação mais desafiadora, e expressou preocupação com a segurança e o bem-estar da criança no ambiente escolar. A ocorrência foi registrada como lesão corporal e está sob investigação da Polícia Civil, que analisa as evidências e depoimentos para determinar se houve agressão intencional ou negligência.
Posicionamento da Secretaria Municipal de Educação
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Educação de Glicério informou que, ao tomar conhecimento da denúncia, instaurou imediatamente um procedimento administrativo interno para apuração rigorosa dos fatos. A secretaria afirmou que todas as medidas cabíveis estão sendo adotadas com responsabilidade e transparência, assegurando o devido processo legal, bem como o direito à ampla defesa e ao contraditório às partes envolvidas.
A nota ressalta que situações dessa natureza são tratadas com a máxima seriedade e reafirma o compromisso permanente da secretaria com a proteção, o cuidado e o bem-estar das crianças atendidas na rede municipal. Por se tratar de um procedimento em fase de apuração, e visando preservar os envolvidos e a própria investigação, outras informações serão divulgadas oportunamente, conforme o andamento dos trâmites legais.
Contexto e importância do caso
Este incidente levanta questões importantes sobre a segurança e o atendimento a crianças com necessidades especiais em instituições de ensino públicas. O Transtorno do Espectro Autista requer cuidados específicos e uma abordagem sensível, o que torna ainda mais crucial a investigação minuciosa de qualquer suspeita de maus-tratos ou negligência.
A comunidade de Glicério e regiões próximas, como Rio Preto e Araçatuba, tem acompanhado o caso com atenção, refletindo uma preocupação crescente com a qualidade da educação infantil e a proteção dos direitos das crianças. Enquanto a Polícia Civil e a Secretaria de Educação prosseguem com as investigações, a mãe aguarda respostas e medidas concretas para garantir a segurança de seu filho e de outras crianças na rede municipal.
