Série 'Marcas' da Globo expõe histórias de vítimas de feminicídio no Brasil
Série 'Marcas' da Globo mostra histórias de feminicídio

Série 'Marcas' da Globo revela histórias de vítimas de feminicídio no Brasil

Neste sábado (7), véspera do Dia Internacional da Mulher, a TV Globo estreia a série especial "Marcas", que traz à tona as histórias de mulheres vítimas de feminicídio antes de se tornarem meras estatísticas da violência. Os episódios serão exibidos nos telejornais Bom Dia PE, NE1 e NE2 até o dia 14 de março, oferecendo um olhar profundo sobre essa tragédia nacional.

Os números alarmantes da violência de gênero

Em 2025, o Brasil registrou quatro feminicídios e dez tentativas de assassinatos contra mulheres por dia. Segundo dados do Ministério da Justiça, foram 1.470 mães, filhas, irmãs, sobrinhas, amigas e companheiras de trabalho mortas no ano passado. Essas cifras representam uma crise humanitária que exige atenção urgente da sociedade e das autoridades.

As histórias por trás das estatísticas

No primeiro episódio, familiares e amigos de três vítimas compartilham detalhes sobre o cotidiano, o trabalho e a história dessas mulheres, cuja ausência será para sempre sentida. A série também apresenta o relato de uma sobrevivente de tentativa de feminicídio, mostrando que a violência de gênero deixa marcas profundas mesmo quando não resulta em morte.

Renata Alves: uma vida interrompida aos 35 anos

A administradora Renata Alves foi morta com um tiro na testa pelo namorado, João Raimundo Vieira da Silva de Araújo, no dia 6 de agosto de 2022. O crime aconteceu no apartamento da vítima, em Campo Grande, na Zona Norte do Recife. Renata tinha 35 anos, era apaixonada por carnaval, viagens e vivia cercada de amigas.

"A ausência... a gente vai dormir e acorda pensando nela. Com o tempo diminui um pouco, mas a dor não passa, principalmente pela forma que ela foi tirada de nós", contou Kátia Alves, mãe de Renata. No dia 26 de fevereiro, João Raimundo foi condenado a 71 anos, 2 meses e 26 dias de prisão após dois dias de júri popular.

Mirella Sena: o futuro interrompido de uma fisioterapeuta

No dia 5 de abril de 2017, Mirella Sena foi morta a facadas pelo vizinho, Edvan Luís da Silva, no flat onde morava em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. A fisioterapeuta de 28 anos estava no melhor momento da vida profissional, trabalhando como consultora de uma grande empresa e com uma rotina intensa de viagens e compromissos.

"Dói muito, todos os dias. Logo ela, que era uma menina que amava viver. Um futuro, tantos sonhos ainda pela frente", disse Sueli Araújo, mãe da vítima. Edvan Luiz foi condenado a 30 anos de prisão em 5 de agosto de 2019, e a data da morte de Mirella passou a ser lembrada como o Dia Estadual de Combate ao Feminicídio.

Maristela Just: uma tragédia familiar que marcou gerações

A estudante de sociologia Maristela Just tinha 25 anos quando foi morta pelo ex-marido, José Ramos Lopes Neto, que não aceitava o fim do relacionamento. No dia 4 de abril de 1989, ele invadiu a casa do sogro, trancou-se em um quarto com Maristela e seus dois filhos, e disparou três tiros contra a vítima.

Os filhos Zaldo e Natália também foram atingidos durante o ataque, perdendo a mãe e sofrendo graves sequelas físicas. "Não é só a minha mãe que vai embora. Naquele dia, eu perdi a minha família", disse Natália, que hoje tem 41 anos. José Ramos foi condenado a 79 anos de prisão apenas em 2 de junho de 2010, 21 anos após o crime.

Luísa Barros: a história de uma sobrevivente

Luísa Barros, de 57 anos, foi espancada pelo então marido, Numeriano Luiz de Sá, com um bastão em um apartamento no Recife. Na época da agressão, em 9 de dezembro de 2025, Luísa fazia tratamento contra câncer no fígado. Ela foi resgatada por um vizinho que ouviu seus gritos desesperados.

"Foi um milagre de Deus, foi a ajuda que eu tive do meu vizinho para me socorrer naquele tempo", disse Luísa, que teve várias fraturas, recebeu 40 pontos e perdeu dois dentes. O agressor, que era secretário de Esportes e Lazer de Calumbi, foi preso no mesmo dia por tentativa de feminicídio e exonerado do cargo.

Serviços de atendimento e denúncia

No Recife, mulheres vítimas de violência podem buscar acolhimento em diversos locais especializados:

  • Centro de Referência Clarice Lispector: Rua Doutor Silva Ferreira, 122, Santo Amaro (atendimento 24 horas)
  • Serviço Especializado e Regionalizado (SER) Clarice Lispector: Avenida Recife, 700, Areias (atendimento de segunda a domingo, das 7h às 19h)
  • Salas da Mulher em cinco unidades do Compaz
  • Plantão WhatsApp 24 horas: (81) 99488-6138

As denúncias podem ser feitas através do telefone 180 (Central de Atendimento à Mulher), do 190 (Polícia Militar) quando o crime estiver acontecendo, ou do Disque-Denúncia da Polícia Civil no Grande Recife: (81) 3421-9595.