Soldada Gisele relatou medo do marido antes de morte por tiro na cabeça em SP
Soldada relatou medo do marido antes de morte por tiro em SP

Soldada Gisele relatou medo do marido antes de morte por tiro na cabeça em SP

A soldada da Polícia Militar Gisele Santana, encontrada morta com um tiro na cabeça no mês passado em São Paulo, havia enviado mensagens a uma amiga expressando medo dos ciúmes do marido, o tenente-coronel Geraldo Neto. "Tem que controlar os ciúmes dele. Qualquer hora me mata. Fica cego", teria dito a policial, segundo a defesa da família.

Relacionamento abusivo e restrições

Em depoimento, a mãe da vítima descreveu um relacionamento extremamente conturbado, com o oficial impondo restrições severas ao comportamento da filha. Gisele era proibida de usar batom, salto alto e perfume, além de ser cobrada pelo cumprimento rigoroso de tarefas domésticas. Quando mencionou a intenção de se separar, o tenente-coronel teria enviado uma foto em que aparecia com uma arma apontada para a própria cabeça.

Áudio revela plano de mudança

O advogado da família, Miguel Silva, apresentou um áudio onde Gisele pede ajuda ao pai para encontrar uma casa próxima da residência dos pais. "Não, pai, pra mim é melhor aí, rua, entendeu? Quanto mais perto daí, melhor", diz a policial na gravação, explicando que isso facilitaria a rotina de trabalho e os cuidados com a filha.

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Segundo o advogado, o áudio reforça a versão da família de que a soldada planejava se afastar do marido. "Recebi um áudio onde Gisele, no ano passado, pede para o pai arrumar uma casa para ela. O desespero era tanto", afirmou Silva durante entrevista coletiva.

Histórico de ameaças e perseguição

O advogado também revelou que o tenente-coronel Neto tem um histórico de ameaças e perseguições contra mulheres:

  • Ex-companheira registrou boletins de ocorrência entre 2009 e 2010 relatando perseguições constantes
  • Em 2022, outra vítima relatou ameaças dentro do próprio apartamento
  • Processo judicial reconheceu assédio moral contra policial militar subordinada em 2022

"É um histórico ameaçador, um histórico perseguidor", afirmou o advogado, criticando o comando da Polícia Militar por não ter afastado o oficial anteriormente.

Versões conflitantes sobre a morte

Quase um mês após a morte ocorrida em 18 de fevereiro, a defesa do tenente-coronel ainda sustenta a versão de suicídio. "A defesa do tenente-coronel aguarda serenamente o desenrolar da apuração da Polícia Civil", disse o advogado Eugênio Malavasi.

Já a defesa da família afirma tratar-se de feminicídio. "Eu não tenho dúvidas que ele matou ela. Mas cabe a polícia provar", declarou o advogado José Miguel da Silva Júnior.

Dúvidas na investigação

O caso, inicialmente registrado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita. Elementos que levantaram dúvidas:

  1. Marcas de unhas e arranhões no pescoço da vítima
  2. Lesões contundentes no rosto
  3. Sinais de disparo à queima-roupa
  4. Arma ainda estava na mão da vítima quando foi encontrada
  5. Marcas de sangue no banheiro, embora o corpo estivesse em outro cômodo

A Justiça determinou a redistribuição do caso para a Vara do Júri, por entender que há indícios de crime doloso contra a vida.

Laudos periciais

Laudos já concluídos pela Polícia Técnico-Científica:

  • Necroscópico: causa da morte por traumatismo decorrente de disparo encostado do lado direito da cabeça, com lesões compatíveis com pressão digital e marcas de unhas
  • Residuográfico: não detectou pólvora nas mãos do coronel ou de Gisele
  • Trajetória do tiro: de baixo para cima

Ainda aguardam conclusão os laudos toxicológico e do local da morte. Paralelamente, a Polícia Militar instaurou Inquérito Policial Militar após receber denúncias anônimas sobre a relação do casal.

O tenente-coronel se afastou do trabalho na corporação e participou da reconstituição do caso no último dia 23 de fevereiro. A investigação continua em andamento, com a família pressionando por prisão preventiva do oficial.

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