Sargento da Polícia Militar enfrentará júri popular por assassinato brutal da esposa em clínica médica
O sargento da Polícia Militar Samir do Nascimento Rodrigues Carvalho será submetido a júri popular, acusado de cometer um crime hediondo ao matar sua esposa e tentar assassinar a própria filha em uma clínica médica localizada em Santos, no litoral de São Paulo. Conforme informações apuradas pela TV Tribuna, afiliada da Globo, a data específica para o julgamento ainda não foi estabelecida, mas o processo avança após a análise judicial.
Detalhes chocantes do crime ocorrido em maio de 2025
O episódio violento aconteceu no dia 7 de maio de 2025, na Avenida Pinheiro Machado, no bairro Marapé, em Santos. Samir foi preso em flagrante delito após desferir três tiros e impressionantes 51 facadas contra Amanda Fernandes Carvalho, sua esposa, resultando em sua morte imediata. A filha do casal, com apenas 10 anos de idade, também foi atingida por disparos durante o ataque, mas sobreviveu após permanecer internada por seis dias em estado grave.
A juíza Thais Caroline Brecht Esteves, ao examinar minuciosamente os depoimentos incluídos na denúncia elaborada pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP), concluiu que existem indícios robustos e suficientes para encaminhar o caso ao Tribunal do Júri. Samir responderá formalmente por homicídio qualificado contra a esposa e por tentativa de homicídio contra a filha, com a consideração de diversos agravantes que intensificam a gravidade dos atos.
Agravantes e premeditação destacados nas investigações
Entre os agravantes listados pelas autoridades, destacam-se:
- Prática do crime por meio considerado cruel e desumano;
- Utilização de arma de fogo e instrumento perfurocortante;
- Ausência de qualquer chance de defesa por parte da vítima principal;
- Execução do assassinato na presença da filha menor de idade;
- Contexto claro de violência doméstica contra a mulher.
Segundo a delegada Deborah Lázaro, da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos, a premeditação do crime foi comprovada pelo fato de o sargento ter se dirigido à clínica médica portando um revólver e um punhal, armas efetivamente empregadas no homicídio. A motivação alegada por Samir, baseada em ciúmes e na crença infundada de traição conjugal, foi desmentida durante as investigações, que confirmaram que Amanda não mantinha relacionamento extraconjugal.
Reconstituição do crime e pedidos do Ministério Público
A reconstituição do crime, realizada em 22 de maio de 2025, foi fundamental para elucidar a dinâmica completa da ocorrência e para a conclusão do inquérito policial, que reuniu laudos periciais e depoimentos de todas as partes envolvidas. O MP-SP, por meio do promotor Fabio Perez Fernandez, solicitou uma pena mínima de 70 anos de reclusão para o acusado, além de uma indenização de no mínimo R$ 100 mil para os herdeiros de Amanda e R$ 50 mil para a filha que testemunhou o trauma.
O juiz Alexandre Betini, da Vara do Júri/Execuções do Foro de Santos, acatou integralmente os pedidos do Ministério Público, formalizando Samir como réu pelos crimes imputados. Atualmente, o sargento está detido no Presídio da Polícia Militar Romão Gomes, em São Paulo, e sua defesa, representada pelo escritório Oliveira Campanini Advogados, não se manifestou até o momento da última atualização desta reportagem.
Consequências administrativas e investigações paralelas
Em decorrência da prisão, Samir foi submetido à agregação militar, uma condição que o torna inativo temporariamente dentro da corporação. Nessa situação, ele perde o direito ao salário e o tempo de serviço não é contabilizado, conforme apuração realizada junto à Justiça Militar. Paralelamente, a conduta dos policiais militares que atenderam a ocorrência e estavam presentes no local do crime está sob investigação em um inquérito interno da PM, que determinará possíveis penalidades.
Este caso chocante evidencia a gravidade da violência doméstica e os desafios enfrentados pelo sistema de justiça, com o júri popular representando um passo crucial na busca por responsabilização e justiça para as vítimas e suas famílias.



