Americana inaugura Sala Lilás para vítimas de violência doméstica
O Governo do Estado de São Paulo inaugurou nesta quarta-feira, 25 de outubro, em Americana, a primeira Sala Lilás do interior paulista. O espaço funciona no Núcleo de Perícias Médico-Legais, dentro do Instituto Médico Legal (IML), e é destinado ao atendimento humanizado de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência doméstica e sexual.
Objetivo e funcionamento da Sala Lilás
A sala foi criada para garantir privacidade, acolhimento e evitar que a vítima tenha contato com outras pessoas atendidas no IML, como indivíduos submetidos a exames cautelares ou de embriaguez, além de impedir o encontro com possíveis agressores dentro da unidade. Além de Americana, o espaço atende vítimas de outras oito cidades da região de Campinas e Piracicaba:
- Artur Nogueira
- Cosmópolis
- Engenheiro Coelho
- Hortolândia
- Monte Mor
- Nova Odessa
- Santa Bárbara d’Oeste
- Sumaré
Ao todo, o Núcleo é responsável por uma população estimada em 1,2 milhão de habitantes. A médica legista Ana Paula Silvestre, que atua na Sala Lilás, afirma que o principal objetivo é reduzir o sofrimento de quem já passou por uma situação traumática.
“A gente tem um espaço lúdico aqui, um espaço humanizado, um espaço privativo para essas vítimas, evitando a revitimização dessas vítimas e também a separação dessas vítimas, tanto do agressor que pode estar ali na sala ao lado, tanto também dos outros exames”, explicou a médica.
Relato reforça importância do acolhimento
Em entrevista para a EPTV, afiliada da TV Globo, uma mulher de 45 anos, que preferiu não se identificar, contou que viveu mais de 20 anos em um relacionamento marcado por violência e ameaças. Ao procurar uma delegacia, chegou a desistir da denúncia após se sentir desencorajada por um policial.
“Moça, você sabe que se for para você fazer um boletim de ocorrência, é só um papel. Mas a polícia não está com você 24 horas, então se ele quiser te matar, ele vai te matar”, relatou a mulher. Mesmo ainda com medo, ela decidiu retomar o caso e acredita que um ambiente mais acolhedor pode fazer diferença.
“Mais confiante, mais confortável, mais acolhedor, certamente vai me trazer segurança”, afirmou. A médica reforça que o foco é quebrar o ciclo da violência.
“Geralmente, essas mulheres não sofreram só uma agressão, elas sofreram várias agressões. Então, nessa sala, a gente quer que ela se sinta ouvida, que ela saiba que ela tem um apoio e que ela sabe que ela pode quebrar esse ciclo”, disse a médica.
Impacto regional e perspectivas futuras
A inauguração da Sala Lilás em Americana representa um avanço significativo na luta contra a violência doméstica na região. O espaço não apenas oferece um ambiente seguro e privativo, mas também promove uma abordagem mais sensível e eficaz no atendimento às vítimas.
Com a capacidade de atender nove cidades, incluindo Americana, a iniciativa visa ampliar o acesso a serviços especializados e reduzir as barreiras que muitas vezes impedem as vítimas de buscar ajuda. A expectativa é que modelos semelhantes possam ser replicados em outras áreas do estado, fortalecendo a rede de proteção e apoio.
Além disso, a Sala Lilás serve como um exemplo de como políticas públicas podem ser adaptadas para atender necessidades específicas, promovendo justiça e bem-estar social. A médica Ana Paula Silvestre destaca que a iniciativa é um passo crucial para transformar a realidade de muitas famílias afetadas pela violência.
