Justiça torna réu homem acusado de matar esposa e simular acidente na MG-050
Réu por feminicídio e simulação de acidente na MG-050

Justiça de Minas torna réu homem acusado de feminicídio e simulação de acidente na rodovia MG-050

A Justiça de Minas Gerais formalizou a acusação contra Alison de Araújo Mesquita, denunciado por matar a esposa Henay Amorim e forjar um acidente de carro na rodovia MG-050, em Itaúna, em dezembro de 2025. A decisão, proferida pela juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, do Tribunal do Júri da Comarca de Belo Horizonte, aceitou integralmente a denúncia do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e manteve a prisão preventiva do acusado, preso em flagrante no dia 15 de dezembro.

Com isso, Alison Mesquita continuará detido e não responderá ao processo em liberdade. Em nota, a defesa afirmou que apresentará, no momento oportuno, todos os pontos defensivos e contradições evidenciadas no inquérito policial, ressaltando que o acusado permanece custodiado mesmo com uma clavícula fraturada desde o acidente, o que demanda atenção especial à sua condição de saúde.

O que muda com a decisão judicial

Com a decisão, o processo deixa de tramitar em sigilo e passa a ser público. A juíza determinou a citação do réu, que terá prazo de 10 dias para apresentar defesa, sendo assistido pela Defensoria Pública caso não constitua advogado. Foram ordenadas providências administrativas para reunir as provas, mas a principal medida foi a manutenção da prisão preventiva, considerada necessária diante da gravidade do caso.

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Denúncia por feminicídio e fraude processual

A juíza aceitou a denúncia do MPMG, que acusa Alison de feminicídio com qualificadoras de violência doméstica e familiar, uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além de fraude processual. Segundo o Ministério Público, o crime ocorreu na madrugada do dia 14 de dezembro de 2025, em um apartamento no bairro Nova Suíça, na região Oeste de Belo Horizonte, após a vítima manifestar desejo de encerrar o relacionamento.

Próximos passos no processo

Com o recebimento da denúncia, o processo entra na fase de instrução, quando serão analisadas provas e ouvidas testemunhas. Ao final dessa etapa, a Justiça decidirá se o réu será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri. Enquanto isso, ele permanece preso preventivamente.

Detalhes da investigação policial

A Polícia Civil concluiu que Henay Rosa Gonçalves Amorim, de 31 anos, foi assassinada por asfixia pelo companheiro, Alison de Araújo Mesquita, de 43 anos, na noite de 13 de dezembro, no apartamento onde viviam. A investigação apontou:

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  • Histórico de agressões: Imagens recuperadas mostram que meses antes do crime, Alison agrediu Henay dentro do apartamento, com socos. Em um episódio, Henay filmou o companheiro, que tentou apagar provas.
  • Motivação e premeditação: Após matar Henay, Alison pesquisou na internet termos sobre acidentes de trânsito e aspectos de medicina legal, indicando planejamento para justificar a versão de morte acidental.
  • Tentativa de ocultar provas: O investigado desligou a câmera interna do apartamento após o crime e tentou apagar vestígios de sangue, mas a perícia encontrou resquícios.
  • Simulação de acidente: Em 14 de dezembro, Alison posicionou o corpo de Henay no banco do motorista e conduziu o veículo sentado no banco do passageiro para simular um acidente na MG-050. Câmeras de pedágio registraram a cena atípica.
  • Morte anterior à colisão: Exames periciais confirmaram que Henay já estava morta por asfixia antes da colisão com um micro-ônibus, descartando a tese de acidente de trânsito.

Cronologia do crime

  1. 17 de agosto: Câmeras registraram Alison agredindo Henay com socos no apartamento.
  2. 13 de dezembro: Imagens mostraram o casal deitado em um colchão na sala, e uma câmera do condomínio registrou o último momento de Henay com vida.
  3. 14 de dezembro (4h49): Câmeras mostraram Alison arrastando o corpo de Henay até o carro.
  4. 14 de dezembro (5h04): O investigado alterou a cena do crime, arrastando o colchão para a garagem.
  5. 14 de dezembro (5h10): Alison deixou o prédio dirigindo do banco do passageiro, com Henay no banco do motorista.
  6. 14 de dezembro (5h56): O veículo passou pelo pedágio na MG-050, com a vítima imóvel.
  7. 14 de dezembro (6h15): Alison provocou uma colisão com um micro-ônibus para simular o acidente.
  8. 15 de dezembro (7h50): Alison foi preso durante o velório de Henay, em Divinópolis, com arranhões nos braços que indicaram possível luta.

O MPMG destacou que a conduta revelou extrema objetificação da mulher como meio de autopreservação, evidenciando um acentuado grau de misoginia. A polícia descartou a hipótese de evento isolado, confirmando o histórico de violência doméstica no relacionamento.