Advogado e professor é denunciado por violência sexual contra 10 mulheres no RS
Professor de direito denunciado por violência sexual no RS

Denúncia reúne relatos de 10 mulheres contra advogado e professor no Rio Grande do Sul

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul encaminhou ao Ministério Público estadual (MPRS) relatos detalhados de dez mulheres que resultaram na denúncia formal contra o advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa. As acusações descrevem uma série de episódios de violência sexual, física e psicológica supostamente cometidos pelo profissional entre os anos de 2013 e 2025.

Crimes enquadrados e detalhes das acusações

Segundo a denúncia, as condutas atribuídas a Conrado se enquadram em crimes graves como estupro, violência psicológica e cárcere privado. Os relatos apresentam padrões preocupantes: em diversos casos, as vítimas afirmam ter passado mal após ingerir bebidas oferecidas pelo professor, ficando desorientadas ou incapazes de reagir. Em outras situações, as mulheres relatam terem sido surpreendidas durante o sono ou em momentos de vulnerabilidade.

Um dos depoimentos mais impactantes descreve uma mulher que acordou "em estado letárgico" em um hotel e, após deixar claro que não queria manter relação sexual, ouviu do acusado: "sim, tu vai conseguir", seguido do ato sexual apesar da resistência verbal explícita.

Violência psicológica e controle sobre as vítimas

A denúncia também reúne múltiplos relatos de violência psicológica. Uma das mulheres contou ter sido humilhada pelo denunciado, enquanto outra descreveu ter sido impedida de sair de um quarto de motel após pedir para ir embora. Segundo seu depoimento, o professor teria trancado a porta, guardado a chave e iniciado agressões físicas antes de cometer a violência sexual.

O Ministério Público destaca que a proximidade entre Conrado e as mulheres – seja por convivência, relação afetiva, orientação acadêmica ou amizade – teria criado situações onde elas se encontravam particularmente vulneráveis ou sob algum tipo de controle.

Investigação policial e medidas judiciais

A investigação policial durou três meses e coletou depoimentos de 18 mulheres que se identificam como vítimas, além de 16 testemunhas, perícias, exames e provas documentais. Por se tratar de crimes sexuais, a Polícia Civil não divulgou detalhes específicos, mas afirmou que a apuração revelou relatos com similaridades entre si.

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJRS) informou que, até a noite de sexta-feira (27), o caso ainda não havia sido analisado judicialmente. Anteriormente, a Justiça já havia determinado medidas cautelares contra Conrado, incluindo:

  • Monitoramento eletrônico por tornozeleira
  • Comparecimento mensal em juízo
  • Proibição de contato com possíveis vítimas e testemunhas
  • Impedimento de frequentar instituições de ensino superior, congressos e simpósios
  • Retenção do passaporte
  • Recolhimento domiciliar entre 20h e 6h
  • Proibição de deixar a comarca de Porto Alegre

Posicionamento da defesa e desligamento profissional

Por meio de nota, a defesa técnica de Conrado Paulino da Rosa – composta por sete advogados – informou que "embora o Ministério Público tenha informado nos autos do inquérito policial o oferecimento da denúncia na última terça-feira, a defesa ainda não teve acesso ao seu conteúdo oficial". A nota expressa "profunda indignação e preocupação" com a divulgação de trechos da denúncia pela imprensa, alegando que o procedimento tramita sob sigilo máximo.

A defesa também afirmou ter levado ao conhecimento do Juízo "elementos que indicam uma possível convergência indevida" entre partes interessadas no processo e agentes da investigação, o que comprometeria a imparcialidade do processo. De maneira veemente, os advogados declararam que "as acusações são manifestamente improcedentes" e que o réu dispõe de "farta prova documental e testemunhal" para desconstruir as narrativas.

Conrado Paulino da Rosa trabalhava na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP) de Porto Alegre, onde foi desligado após o início da investigação policial. A instituição afirmou que o desligamento foi "definido em caráter administrativo", sem juízo antecipado sobre responsabilidades relacionadas a fatos externos. Ele lecionava para alunos de graduação e mestrado em direito na FMP, onde também coordenava a pós-graduação em Direito de família e sucessão, e foi presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Seção RS (IBDFAM-RS).

Como denunciar casos de violência

Vítimas de violência devem procurar a Delegacia da Mulher ou qualquer Delegacia de Polícia para registrar boletim de ocorrência. O serviço também está disponível através da Delegacia Online, permitindo relatar agressões sem necessidade de deslocamento presencial. A sociedade dispõe ainda de centros de referência especializados e canais para solicitação de medidas protetivas de forma digital.