Ex-padrasto e comparsa presos por simular sequestro e abusar de enteada de 13 anos em Cuiabá
A Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) em Cuiabá cumpriu, nesta segunda-feira (19), mandados de prisão preventiva contra um homem de 60 anos e seu comparsa de 33 anos. A dupla é suspeita de ter planejado e executado a simulação do sequestro da ex-enteada do homem, uma adolescente de apenas 13 anos, crime que acabou evoluindo para abusos sexuais graves.
Crimes investigados e versão inicial dos fatos
Segundo as investigações conduzidas pela Polícia Civil de Mato Grosso, os suspeitos respondem pelos crimes de sequestro, cárcere privado e estupro de vulnerável. O caso teve início em 10 de novembro, quando o ex-padrasto, que mantinha uma relação de pai e filha com a vítima, procurou a polícia para relatar um suposto sequestro.
Em sua versão inicial, ele afirmou que, ao buscar a adolescente na escola, foram abordados por um homem encapuzado. Este indivíduo os teria obrigado a dirigir até um motel nas proximidades, onde o suspeito disse ter ficado preso no carro, enquanto a jovem era levada para um quarto e sofria abusos.
Descoberta do plano criminoso e envolvimento de comparsa
Contudo, as investigações da Deddica rapidamente desmontaram essa narrativa. A polícia apurou que o crime foi minuciosamente planejado pelo próprio ex-padrasto, com a ajuda de um comparsa que ele conheceu através de um site de relacionamentos. O homem de 60 anos ofereceu R$ 1 mil para que o segundo envolvido participasse da simulação.
Além disso, os investigadores identificaram que, no dia do crime, o ex-padrasto adquiriu itens como vendas, algemas e balaclavas, que foram utilizados durante a ação criminosa. Por ter registrado um boletim de ocorrência falsa, ele também responderá pelo crime de denúncia caluniosa.
Depoimentos dos suspeitos e evolução do caso
Em depoimento, o ex-padrasto tentou justificar a ação alegando que a intenção era apenas "dar um susto" na adolescente, devido a suposta desobediência. Já o comparsa de 33 anos afirmou que o plano inicial era assustar a jovem e depois libertá-la, mas a situação teria escalado para o motel, onde a menor foi vendada e abusada sexualmente.
O delegado responsável pela investigação, César Ferreira, destacou que, apesar da primeira versão sugerir a participação de mais pessoas, as provas coletadas indicam que apenas os dois suspeitos estiveram diretamente envolvidos no crime.
Continuidade das investigações e responsabilização
A Deddica informou que as investigações seguem em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do caso e concluir o inquérito policial. O objetivo é assegurar a responsabilização integral de cada um dos envolvidos pelos crimes cometidos, garantindo justiça para a vítima e sua família.
Este caso chocante em Cuiabá reforça a importância do trabalho especializado de delegacias como a Deddica no combate a crimes contra crianças e adolescentes, evidenciando a necessidade de vigilância constante e ações firmes para proteger os mais vulneráveis.