Homem é preso por feminicídio em motel de São Paulo após discussão sobre pensão
Um homem de 34 anos foi preso neste domingo (1º) sob a suspeita de matar a ex-mulher asfixiada dentro do quarto de um motel na avenida Sapopemba, na zona leste de São Paulo. O caso foi registrado como feminicídio consumado e violência doméstica, destacando um trágico episódio de violência de gênero na cidade.
Detenção e confissão do crime
Davi Rodrigues Barbosa foi detido por policiais militares enquanto estava na recepção do estabelecimento. Funcionários acionaram a PM após impedir que o homem saísse sozinho do local, garantindo sua prisão imediata. Horas antes, segundo o boletim de ocorrência, ele havia entrado no motel acompanhado da vítima.
A vítima, Stephanie da Silva, 26 anos, foi encontrada dentro do quarto, caída ao chão e com marcas visíveis no pescoço. Agentes tentaram reanimá-la, mas sem sucesso, confirmando o óbito no local. Os policiais que atenderam a ocorrência relataram que Davi confessou o crime durante o atendimento.
Motivação e contexto do crime
O suspeito foi interrogado e declarou à polícia ter "perdido a cabeça" durante uma discussão. Segundo o registro da ocorrência, ele afirmou não concordar com o valor pedido pela mulher a título de pensão, R$ 1.000, exigência que considerou desproporcional. Davi e Stephanie tinham dois filhos juntos, o que agrava o contexto familiar do caso.
Ele disse também que foi ao motel com a vítima a convite dela, após uma festa em Santo André, e negou que tenha premeditado o crime. No entanto, o homem ainda afirmou que não se arrepende do episódio, conforme consta no registro policial, revelando uma postura preocupante diante da violência cometida.
Histórico do suspeito e detalhes do ocorrido
O suspeito já havia sido alvo de medidas protetivas por parte da ex-mulher e condenado por embriaguez ao volante e resistência, indicando um passado de conflitos legais. Antes da ocorrência no motel, ambos teriam discutido sobre partilha de bens e pensão, temas que podem ter acirrado a tensão entre eles.
Uma funcionária do estabelecimento disse em depoimento que escutou um barulho semelhante ao de um casal brigando em um dos quartos e que chegou a ligar aos hóspedes para perguntar se algo havia acontecido. A resposta foi negativa, mas ela encontrou a mulher no quarto, com a boca espumando, e acionou a PM imediatamente.
Naquele momento, afirmou em depoimento, trancou todas as saídas pelas quais o rapaz poderia fugir do local, inclusive a da garagem, uma ação crucial para garantir a detenção. A Polícia Civil, que investiga o caso, pediu a prisão preventiva dele, além de exames periciais, análise do celular e coleta de imagens do sistema de monitoramento do motel.
Protesto e contexto de violência de gênero
O caso ocorreu no mesmo dia do ato Memorial Pela Vida das Mulheres, que ocorreu na avenida Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, no acesso à Marginal Tietê, para lembrar o trajeto por onde Tainara Souza Santos, 31, foi arrastada após ser atropelada por Douglas Alves da Silva no final do ano passado.
Ela permaneceu um mês internada e precisou amputar as pernas, vindo a falecer na véspera do Natal. O protesto deste domingo foi convocado pelo Ministério das Mulheres e marcou também a inauguração de um mural de 184 metros, pintado por mais de 30 grafiteiras em homenagem a mulheres vítimas de violência de gênero.
Entre as homenageadas está Priscila Versão, 22 anos, amiga de Tainara, morta em 23 de fevereiro pelo ex-companheiro. Balanço da SSP divulgado no início deste ano mostra que o estado de São Paulo registrou aumento de 8,1% nos registros de feminicídio em 2025, atingindo o maior número da série histórica para esse tipo de crime iniciada em 2018.
Foram 266 casos de mulheres assassinadas em razão do gênero, contra 246 em 2024, segundo dados da pasta, um dado alarmante que reforça a urgência de combater a violência contra as mulheres. A defesa do suspeito disse à reportagem que se manifestará nesta tarde, aguardando-se mais detalhes sobre o processo legal.
