PM acusado de feminicídio usava linguagem de 'macho alfa' para impor submissão à esposa
O tenente-coronel da Polícia Militar Geraldo Leite Rosa Neto, preso nesta quinta-feira, 18 de março de 2026, em São Paulo, sob acusação de feminicídio, descrevia em mensagens o tipo de relação que impunha à sua esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana. A vítima foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do casal, em um caso que chocou a corporação e a sociedade.
Mensagens revelam discurso de controle e dominação
Segundo a denúncia do Ministério Público, dois dias antes do crime, o acusado escreveu: "Eu te trato como todo homem macho alfa trata sua esposa – com amor, carinho, atenção e autoridade de macho alfa provedor e fêmea beta obediente e submissa". As expressões, que parecem tiradas diretamente do vocabulário pseudocientífico popularizado em perfis red pill, serviram de justificativa para um histórico extenso de agressões, controle financeiro e humilhações.
As investigações apontam que Geraldo utilizava essa retórica para manter um ambiente de opressão, cobrando sexo em troca de pagar as contas da casa e isolando Gisele da família. O cenário de terror doméstico culminou no tiro fatal, que, conforme a acusação, partiu das mãos do suposto "provedor".
Histórico de violência e tentativa de forjar suicídio
O caso ganhou contornos ainda mais sombrios com a revelação de que, diante da iminência da separação – quando Gisele finalmente tomou coragem para sair da relação –, o tenente-coronel teria atirado contra a própria esposa e forjado uma cena de suicídio. As autoridades encontraram evidências que contradizem essa versão, indicando um feminicídio premeditado.
As mensagens trocadas entre o casal, recuperadas pelos investigadores, mostram um padrão de comportamento agressivo e controlador, com o acusado impondo sua visão distorcida de relacionamento, onde a mulher deveria ser "obediente e submissa". Esse discurso, associado a atos de violência, reflete um machismo estrutural que ainda permeia certos setores, incluindo forças de segurança.
Impacto nas investigações e na sociedade
A prisão do tenente-coronel gerou comoção e levantou debates sobre a necessidade de combater a violência de gênero dentro das instituições policiais. Especialistas destacam que casos como este evidenciam como ideologias tóxicas, disseminadas em círculos red pill, podem alimentar crimes hediondos.
O Ministério Público enfatiza que as mensagens são parte crucial das provas, demonstrando a intenção do acusado em dominar e oprimir a vítima. A investigação continua apurando outros detalhes, como possíveis testemunhas e o histórico anterior de violências no relacionamento.
Este trágico episódio serve como um alerta para a sociedade sobre os perigos do discurso de submissão feminina e a urgência em fortalecer políticas de proteção às mulheres, especialmente em contextos onde o agressor detém autoridade e poder.



