O policial militar suspeito de agredir a ex-namorada e mantê-la em cárcere privado em um apartamento na Zona Leste de Teresina foi afastado das atividades de rua e passará a exercer funções administrativas. Além disso, o porte de arma do agente foi suspenso. A informação foi confirmada pela Polícia Militar do Piauí ao g1.
O militar havia sido preso no domingo (26), mas recebeu liberdade provisória após audiência de custódia. A corporação informou que abriu uma sindicância, procedimento administrativo interno, para apurar o caso e eventuais infrações ao regulamento disciplinar. O nome do policial não foi divulgado.
Relembre o caso
Uma jornalista utilizou grupos de troca de mensagens para pedir ajuda e denunciar que foi agredida e mantida em cárcere privado pelo ex-namorado, que é policial militar. O crime ocorreu na noite de domingo (26), em um apartamento na Zona Leste de Teresina.
Nas mensagens enviadas após as 22h, a jovem relatou ter sido agredida fisicamente e mantida trancada no imóvel por longas horas. Ela também acionou o 190 e familiares para pedir socorro. A jornalista foi retirada do local e levada para a Casa da Mulher Brasileira, onde registrou boletim de ocorrência e passou por exame de corpo de delito.
De acordo com o boletim de ocorrência, a vítima relatou ameaças, agressões, cárcere privado e tentativa de violência sexual. Um familiar da jovem informou ao g1 que as agressões começaram por volta das 13h30 e se estenderam até o momento em que ela conseguiu acesso ao celular para pedir ajuda, às 22h.
Segundo o registro policial, os agentes chegaram ao local após ligações e foram recebidos pelo policial, que apresentou uma versão diferente dos fatos. Ele estava sem camisa, colocou as mãos para cima e indicou onde estava a arma. A vítima continuava trancada no quarto, e os policiais precisaram arrombar a porta. Ela estava em estado de choque e confirmou as agressões, conforme a Polícia Militar.
O ex-namorado afirmou à polícia que a vítima estaria com as chaves do apartamento, tentando impedir sua saída do imóvel. Familiares da vítima chegaram em seguida e a acompanharam até a Casa da Mulher Brasileira para os procedimentos necessários.
Relato da vítima
Em entrevista à TV Clube, a jovem contou que estava em processo de separação e que o policial já havia retirado as roupas dele da casa. Segundo ela, as agressões começaram na cama onde estavam. "Fui surpreendida com ele apertando meu pescoço e me empurrando para fora da cama. Ele dizendo que ia me matar e começou a apertar o meu pescoço. Me apertou contra a parede e aí foi quando eu meti a mão nele", relatou.
"Teve um momento que ele me levou para o banheiro, me jogou na água, me jogou debaixo do chuveiro e ficou um inferno. Eu achei que ia morrer", completou a vítima.



