Justiça de Mato Grosso do Sul eleva penas para mais de 66 anos no caso da morte de Sophia
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul determinou um significativo aumento nas penas de Christian Campoçano Leithem e Stephanie de Jesus, condenados pela morte da filha Sophia Ocampo, que tinha apenas dois anos de idade. Com a nova decisão em segunda instância, mãe e padrasto somam agora mais de 66 anos de prisão, reforçando a gravidade dos crimes cometidos contra a criança.
Recursos analisados e decisão unânime
A decisão foi tomada após análise minuciosa dos recursos apresentados tanto pela defesa dos dois réus quanto pelo Ministério Público. Christian, que havia sido inicialmente condenado a 32 anos de reclusão, solicitou a redução de sua pena. Stephanie, condenada a 20 anos, pediu não apenas a diminuição da pena, mas também a anulação do júri, alegando suposta falta de provas concretas.
Em contrapartida, o Ministério Público requereu o aumento das penas, argumentando com base na brutalidade dos crimes e nas circunstâncias agravantes. Os desembargadores mantiveram firmemente a condenação original, destacando evidências robustas de agressões frequentes contra Sophia e seus irmãos, além de mensagens trocadas entre os réus que revelavam um ciclo persistente de violência doméstica.
Omissão de socorro e ambiente insalubre
Um aspecto crucial considerado pelo tribunal foi a omissão de socorro à menina de apenas dois anos. "Parte do acervo probatório demonstra que a recorrente Stephanie, mesmo podendo evitar a morte da menor de idade, dolosamente privou-a de socorro médico imediato, permitindo que esta sofresse até sua morte, uma vez que, quando encaminhada à Unidade de Saúde, já estava sem vida há horas", afirmaram os desembargadores em sua decisão.
O tribunal também levou em conta o ambiente insalubre em que Sophia vivia, marcado pelo uso de drogas e violência constante. Esses fatores contribuíram para o entendimento de que os crimes foram cometidos em contexto de extrema gravidade, justificando o aumento das penas.
Detalhes das novas penas
Com a nova decisão, a pena de Christian passou para 40 anos, seis meses e 11 dias de prisão. Desse total, 26 anos e seis meses correspondem ao crime de homicídio qualificado, enquanto 14 anos são atribuídos ao estupro de vulnerável. Stephanie teve sua pena aumentada para 26 anos, seis meses e 11 dias de reclusão.
Contexto do caso
O trágico caso ocorreu em 26 de janeiro de 2023, quando Stephanie levou a filha já sem vida à Unidade de Pronto Atendimento do Bairro Coronel Antonino. A criança apresentava sinais evidentes de agressão física e suspeita de estupro. Na mesma noite, mãe e padrasto foram presos em flagrante.
Em 5 de dezembro de 2024, os dois foram formalmente condenados pelo assassinato da menina. Durante o julgamento, mensagens trocadas entre os réus e diversos depoimentos revelaram uma rotina aterrorizante de violência dentro da família. Sophia era o principal alvo das agressões, mas seu irmão de quatro anos também sofria maus-tratos regularmente.
Segundo laudos periciais, Sophia faleceu após horas de intenso sofrimento causado por uma lesão interna grave, resultante das agressões sofridas. O caso chocou a sociedade mato-grossense e continua a gerar debates sobre proteção infantil e responsabilidade parental.



