Pai de adolescente em coma após briga por chiclete no DF declara perdão ao agressor preso
Em um gesto de profunda compaixão, o pai do adolescente de 16 anos que permanece em coma após ser brutalmente agredido em Vicente Pires, no Distrito Federal, revelou em entrevista exclusiva à TV Globo que ele e sua família já perdoaram Pedro Turra, de 19 anos, preso pelas agressões. "Quem causou isso nós perdoamos. Minha família já perdoou, nós já oramos por ele", afirmou o homem, que pediu anonimato por medo de retaliações.
O pai explicou que o perdão não significa abrir mão da justiça, mas sim uma postura espiritual diante da tragédia. "A gente acredita que Deus vai acompanhar ele. Ele precisa de Deus, uma pessoa que precisa de Deus no coração. A gente não busca nada. A gente só quer o meu filho de volta", declarou, emocionado.
Justiça humana e divina: família busca equilíbrio entre perdão e responsabilização
O homem ponderou sobre a necessidade de ambas as formas de justiça, destacando que o perdão familiar não isenta o agressor das consequências legais. "Existe a justiça de Deus, mas existe a justiça dos homens também. São as duas justiças que são necessárias, né?", questionou.
Para o pai, a busca por justiça também serve como um mecanismo de proteção social, visando evitar que outras famílias passem pela mesma dor. "Porque se aconteceu uma vez, duas vezes, três vezes, o que que dirá se acontecer com mais um filho numa situação dessa? Vai ser culpa de quem? Será que é só dele? Ou será que é minha que simplesmente me omiti?", refletiu.
Detalhes do caso: briga iniciada por chiclete mascado leva a agressão grave
O incidente ocorreu no dia 23 de janeiro, quando Pedro Turra e o adolescente se envolveram em uma briga que começou após uma brincadeira inapropriada. A confusão teve início quando Turra jogou um chiclete mascado na direção de outra pessoa, desencadeando a violência que deixou o jovem de 16 anos em estado crítico.
Pedro Turra, que é piloto e empresário, foi inicialmente preso, mas conseguiu liberdade após pagar fiança de R$ 24,3 mil. Como consequência, foi desligado do quadro de pilotos da temporada 2026 da Fórmula Delta, na categoria escola. No entanto, na sexta-feira, 30 de janeiro, a Justiça determinou sua prisão preventiva novamente.
Histórico de investigações: quatro denúncias pesam contra o agressor
A Polícia Civil investiga atualmente quatro ocorrências envolvendo Pedro Turra, incluindo:
- A agressão contra o adolescente de 16 anos em Vicente Pires;
- Uma briga em uma praça de Águas Claras, registrada em junho de 2025;
- Denúncia de uma jovem que alega ter sido forçada a ingerir bebida alcoólica quando era menor de idade;
- Agressão contra um homem de 49 anos durante uma discussão de trânsito.
Duas dessas denúncias, referentes a episódios anteriores, só foram formalizadas após a repercussão do caso recente, revelando um padrão de comportamento violento.
Transferência para Papuda: agressor é encaminhado ao complexo penitenciário
Nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, Pedro Turra foi encaminhado para o Complexo Penitenciário da Papuda, conforme confirmado por seu advogado. O piloto havia sido preso na casa da mãe na sexta-feira anterior e, no domingo, a defesa alegou supostas ameaças de presos e agentes policiais, resultando em sua transferência para uma cela isolada no Departamento de Polícia Especializada.
O Tribunal de Justiça do DF informou que Turra estava na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP) e foi levado para o Centro de Detenção Provisória (CDP) no Complexo da Papuda. Um juiz autorizou a transferência para uma cela especial devido ao risco à integridade física do acusado, considerando a grande exposição midiática do caso.
Controvérsia sobre tratamento diferenciado: defesa da vítima lamenta decisão
Em nota, a defesa do adolescente agredido expressou descontentamento com a transferência de Turra para uma cela especial. "Reforça a sensação de privilégio e tratamento diferenciado, algo que, infelizmente, vem sendo observado desde o início do caso", afirmaram os advogados, destacando a percepção de desigualdade no tratamento penal.
Enquanto isso, a família do adolescente continua mobilizada, pedindo doações de sangue e mantendo vigilância constante no hospital. O pai resumiu a esperança familiar: "Vou ficar até ele sair em pé, andando, conversando", demonstrando a fé inabalável na recuperação do filho.



