Mulher tem tímpano perfurado após agressão do ex-companheiro em Itapetininga (SP)
Mulher tem tímpano perfurado após agressão em Itapetininga

Mulher tem tímpano perfurado após agressão do ex-companheiro em Itapetininga (SP)

Uma mulher, que prefere não se identificar, denuncia ter sofrido perfuração em um dos tímpanos após ser brutalmente agredida pelo ex-companheiro na Vila Belo Horizonte, em Itapetininga, no interior de São Paulo. O episódio violento ocorreu na quinta-feira, dia 26, e a vítima permanece internada em uma unidade de saúde desde o domingo, 29. Ela também alega ter sido vítima de negligência por parte da polícia ao tentar registrar ameaças anteriores.

Agressão durante recuperação de cirurgia

A vítima havia passado por uma cirurgia para extração de um dente do siso no mesmo dia. Ela relata que, ainda sob efeito da anestesia, foi surpreendida pelo ex-companheiro dentro de sua própria casa. O homem teria invadido a residência e, ao encontrar mensagens no celular dela sobre o fim do relacionamento e questões de pensão alimentícia, iniciou uma série de agressões que duraram aproximadamente 40 minutos.

"Eu mal consegui reagir por estar anestesiada. Levei muitos tapas na cara e, em um dos socos, senti um estouro na minha cabeça. Fiquei muito atordoada, parecia que não tinha equilíbrio nenhum no meu corpo", detalhou a mulher em entrevista.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Tentativas de fuga e enforcamento

Durante o ataque, a vítima tentou fugir em várias ocasiões, sem sucesso. Ela afirma que o agressor a trancou no quarto, a enforcou múltiplas vezes e impediu que ela gritasse por ajuda. A situação só mudou quando o suspeito se distraiu ao quebrar o celular dela, momento em que ela conseguiu escapar e buscar refúgio na casa de uma irmã.

"Tentei fugir várias vezes. Em uma delas, tentei escapar pela janela, mas ele me pegou pela perna. Fiquei 40 minutos dentro da minha própria casa apanhando. Minha voz sumiu e eu nem conseguia gritar mais", completou.

Negligência policial e boletim de ocorrência

A mulher já vinha sendo ameaçada pelo ex-companheiro desde dezembro do ano passado. Em fevereiro, após novas ameaças, ela procurou a delegacia, mas foi orientada a retornar em outro horário, o que não fez devido à sua rotina de trabalho em dois turnos em um restaurante e por ser mãe de quatro filhos.

Após o episódio de agressão, ao tentar registrar o boletim de ocorrência na tarde de quinta-feira, a vítima descobriu que o ex-companheiro já havia comparecido à delegacia voluntariamente e a acusado de autoagressão. Ela relata que um policial questionou: "Moça, mas você não se autoagrediu para acusar ele?", o que ela considera um descaso total.

No registro policial, consta que o homem relatou que a vítima "teria se autolesionado" durante uma discussão. Ele não foi preso devido à falta de flagrante, recebendo apenas a orientação para não retornar à residência, que foi ignorada imediatamente.

Perfuração do tímpano e internação

Inicialmente liberada após consulta médica, a mulher retornou ao hospital na sexta-feira, 27, após perceber vazamento de secreções de um dos ouvidos. Os médicos constataram a perfuração do tímpano, e ela foi internada na madrugada de domingo, 29, relatando sentir muita dor.

"É uma situação terrível. Peço ajuda, pois não quero virar estatística. Não me sinto protegida pelas autoridades. Parece que, mesmo muito machucada, preferem proteger o homem", desabafou a vítima.

Posicionamento da polícia e investigações

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que o homem, de 33 anos, foi detido após agredir a companheira na quinta-feira. O caso foi registrado como violência doméstica, dano e lesão corporal no 3º DP de Itapetininga.

A SSP-SP afirmou que a Corregedoria da Polícia Civil instaurou procedimento para apurar o relato da vítima sobre a dificuldade em registrar boletim de ocorrência em fevereiro, reforçando que "a conduta mencionada não condiz com os princípios e protocolos adotados".

A Polícia Civil solicitou uma medida protetiva de urgência a favor da vítima à Justiça, e o caso está sendo investigado pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Itapetininga.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar