Mulher sobrevive a tentativa de feminicídio em Paranatinga; suspeito é preso pela PM
Mulher sobrevive a tentativa de feminicídio em Paranatinga

Mulher sobrevive a tentativa de feminicídio após ser esfaqueada pelo companheiro em Paranatinga

Uma mulher de 42 anos sofreu uma grave tentativa de feminicídio na noite de sábado (21), na cidade de Paranatinga, localizada a 411 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso. De acordo com informações da Polícia Militar, a vítima conseguiu pedir socorro ao encontrar uma equipe de militares durante um patrulhamento de rotina e relatou ter sido esfaqueada pelo próprio companheiro, cuja identidade não foi divulgada pelas autoridades.

Resgate policial e prisão imediata do agressor

Os policiais militares realizavam patrulhamento pela Avenida Brasil, na região central de Paranatinga, quando se depararam com a mulher ferida e com manchas de sangue visíveis no corpo. Imediatamente, os agentes acionaram o atendimento médico de emergência e iniciaram buscas intensivas pelo suspeito, resultando na prisão de um homem de 35 anos pouco tempo depois do ocorrido.

No hospital, onde recebeu os primeiros cuidados, a vítima contou detalhes do ataque violento. Ela explicou que estava em casa quando o companheiro retornou da rua após ingerir bebida alcoólica e começou a acusá-la de ter pego a carteira dele. A mulher negou veementemente as acusações e sugeriu que o objeto provavelmente havia sido perdido na via pública.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Sequência de violência e fuga milagrosa

Irritado com a negativa, o homem iniciou um surto de fúria, quebrando diversos objetos dentro da residência. Em seguida, pegou uma faca e dirigiu-se ao quarto onde a mulher se encontrava. Percebendo a intenção homicida do agressor, a vítima tentou se defender, mas acabou ferida na mão durante a luta corporal.

Um fato crucial permitiu sua fuga: a faca utilizada no ataque acabou quebrando durante a agressão, o que fez o homem parar momentaneamente. Aproveitando a oportunidade, a mulher conseguiu escapar do local pela rua dos fundos da casa, onde posteriormente foi encontrada pela polícia.

Os policiais que atenderam a ocorrência encontraram no local a lâmina da faca ao lado da cama e o cabo do instrumento na cozinha, evidenciando a violência do episódio. O suspeito foi encaminhado à delegacia e o caso segue sob investigação da Polícia Civil de Mato Grosso.

Aplicativo SOS Mulher MT como ferramenta de proteção

O caso reforça a importância de mecanismos de proteção às mulheres em situação de violência doméstica. Em Mato Grosso, o aplicativo SOS Mulher MT foi criado especificamente para auxiliar vítimas desse tipo de crime. A plataforma conta com um botão do pânico virtual que permite pedidos de socorro imediatos quando o agressor descumpre medidas protetivas.

Atualmente, o Botão do Pânico está disponível nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande, Cáceres e Rondonópolis. Nos demais municípios do estado, a plataforma pode ser acessada para outras funcionalidades essenciais:

  • Direcionamento à medida protetiva online
  • Telefones de emergência e endereços das Delegacias da Mulher
  • Plantão policial 24 horas
  • Canal para denúncias sobre violência doméstica
  • Acesso à Delegacia Virtual para registro de ocorrências

Lei Maria da Penha e tipos de violência doméstica

A Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, estabelece mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Segundo a legislação, configura-se violência doméstica qualquer ação baseada no gênero, ou seja, quando a mulher sofre agressão simplesmente por ser mulher.

O Instituto Maria da Penha classifica cinco tipos principais de violência doméstica:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  1. Violência física: ações que ofendem a integridade ou saúde corporal da mulher, como espancamentos, estrangulamento, cortes e sacudidas.
  2. Violência psicológica: condutas que causam dano emocional, diminuem a autoestima ou controlam comportamentos, incluindo ameaças, humilhação, manipulação e isolamento.
  3. Violência sexual: atos que obrigam a vítima a participar de relações sexuais não desejadas, como estupro, impedimento do uso de contraceptivos ou prostituição forçada.
  4. Violência patrimonial: ações que envolvem retenção ou destruição de objetos, documentos, bens e valores da vítima, como controle financeiro abusivo ou destruição de documentos pessoais.
  5. Violência moral: condutas que configuram calúnia, difamação ou injúria, como acusações públicas de traição ou exposição da vida íntima.

Medidas protetivas: como solicitar e quem pode requerer

As medidas protetivas são ordens judiciais destinadas a proteger pessoas em situação de risco, perigo ou vulnerabilidade. Existem dois tipos principais: aquelas voltadas para o agressor, impedindo sua aproximação da vítima, e as direcionadas à vítima, garantindo sua segurança e a proteção de seus bens e familiares.

Qualquer mulher que esteja enfrentando situação de violência doméstica e familiar pode solicitar medidas protetivas, independentemente do tipo de ameaça, lesão ou omissão sofrida. A solicitação pode ser feita diretamente em delegacias, no Ministério Público ou na Defensoria Pública, sem necessidade de acompanhamento por advogado particular.