Mulher de 37 anos é encontrada morta em Paulista; família denuncia feminicídio
Mulher morta em Paulista: família denuncia feminicídio

Mulher de 37 anos é encontrada morta em Paulista; família denuncia feminicídio

A tragédia ocorreu no domingo (15), por volta das 15 horas, no bairro de Pau Amarelo, em Paulista, região metropolitana do Recife. Sandra Justino de Barros, de 37 anos, foi encontrada sem vida dentro de sua residência na Rua Alcino Ferreira da Paz, local onde residia há pouco tempo.

Investigação policial em andamento

A Polícia Civil, através da Divisão de Homicídios Metropolitana Norte, instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A declaração de óbito, obtida pelo g1, indica que a vítima sofreu traumatismo cranioencefálico causado por "ação de meio contundente". O boletim de ocorrência registra que não foram encontrados objetos ou armas no local do crime.

Em nota oficial, a polícia informou que as diligências estão em andamento e que novas informações serão divulgadas oportunamente. O velório de Sandra acontece a partir das 8h da terça-feira (17) no Cemitério Morada da Paz, em Paulista, com sepultamento marcado para as 10h.

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Familiares denunciam feminicídio

Amigos e familiares de Sandra, que deixa duas filhas, afirmam que se trata de um caso de feminicídio. Micheline Lopes, amiga da vítima há 25 anos, revelou em entrevista à TV Globo detalhes do relacionamento conturbado.

"Sandra se separou do ex-marido no início deste ano após sofrer agressões. Ela relatava que ele era excessivamente ciumento, narcisista e psicopata. Mesmo após a separação, ele não aceitou o fim do casamento", declarou Micheline.

Débora Almeida, filha mais velha de Sandra, descreveu o comportamento obsessivo do ex-marido: "Ele monitorava minha mãe através das câmeras da hamburgueria dele. Quando percebeu que ela saiu com amigos, seguiu-a em uma Kombi. Ele tirou a vida da minha mãe".

A jovem ainda relatou episódios de violência pública: "Ele era muito agressivo, xingava e gritava com ela na frente dos clientes, chegando a puxar sua camisa. Não tinha respeito nem por minha irmã menor de idade".

Cena chocante e agonizante

Uma parente que encontrou o corpo descreveu a cena como extremamente chocante. "Ela estava de bruços, com os braços para trás, nem chegou a entrar em casa. O celular estava jogado a distância, bastante trincado. Havia sangue seco, fezes e muitas moscas".

Segundo relatos, uma vizinha testemunhou os momentos finais de Sandra. "A vizinha disse que viu ela chegando de manhã, conversaram brevemente, depois ouviu barulho e a encontrou caída. Ela ligou para bombeiros e polícia, jogou água, viu Sandra agonizando nos últimos suspiros, mas teve medo do cachorro".

Aparentemente, a vizinha viu a vítima caída por volta das 6h, mas a família só foi informada da morte aproximadamente sete horas depois. "Se tivéssemos chegado duas ou três horas antes, poderíamos tê-la encontrado com vida. Sabemos que ela não tiraria a própria vida - tinha duas filhas, amava o que fazia e trabalhava com pessoas", lamentou a familiar.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil, enquanto familiares e amigos buscam justiça para Sandra, cuja morte expõe mais uma vez os riscos da violência doméstica e do feminicídio no Brasil.

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