Mulher é denunciada por matar marido após discussão sobre Wi-Fi e televisão no Paraná
O Ministério Público do Paraná (MP-PR) apresentou denúncia contra uma mulher de 32 anos acusada de assassinar o próprio marido após uma discussão doméstica envolvendo o desligamento do Wi-Fi e da televisão. O caso, que chocou a pequena cidade de Cafelândia, no oeste do estado, resultou na morte de Valdir Schumann, atingido por um disparo de espingarda calibre 22.
Crime ocorreu na frente do filho do casal em cidade do interior
De acordo com a denúncia encaminhada à Justiça Criminal, o homicídio aconteceu no dia 7 de abril de 2026, quando Valdir Schumann assistia a um filme e se recusou a desligar os aparelhos eletrônicos para dormir. Diante da negativa, Jaqueline Francisca dos Santos Schumann buscou uma espingarda e efetuou um único disparo contra o marido, causando sua morte imediata. O crime foi cometido na presença do filho do casal, o que configura agravante de perigo comum.
Promotora Renata Melo Boaventura, responsável pelo caso, destacou que a vítima estava completamente desarmada e não oferecia qualquer risco no momento do ataque. "O homicídio foi praticado com uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, por motivo fútil e em condições que geraram perigo comum", afirmou a representante do MP-PR em nota oficial.
MP aponta tentativa de fraudar cena do crime e pede julgamento pelo Tribunal do Júri
Além do homicídio qualificado, Jaqueline também é acusada de fraude processual por ter alterado a cena do crime logo após o ocorrido. Segundo as investigações, a mulher moveu a arma para cima de uma cama com a intenção de simular um suicídio ou disparo acidental, tentando dificultar o trabalho das autoridades policiais.
O Ministério Público solicitou que a acusada seja submetida a julgamento pelo Tribunal do Júri pelos crimes de homicídio qualificado e fraude processual. A pena para homicídio qualificado pode variar entre 12 e 30 anos de prisão em regime inicial fechado, dependendo da decisão judicial.
Juiz mantém prisão preventiva e MP pede indenização de R$ 100 mil para familiares
Em decisão proferida nesta terça-feira, 7 de abril, o juiz Gianlucca Daniel da Matta Silva manteve a prisão preventiva de Jaqueline Francisca dos Santos Schumann, que foi detida pouco depois do crime. O magistrado considerou os riscos de fuga e a gravidade das acusações para determinar a manutenção da custódia.
O MP-PR também requereu a fixação de um valor mínimo de 100 mil reais a ser pago pela denunciada aos familiares da vítima, como forma de reparação pelos danos morais e materiais causados pelo homicídio. A quantia deverá ser definida em processo separado, mas a Promotoria já sinalizou a necessidade de compensação financeira para os parentes de Valdir Schumann.
Cafelândia, cidade com aproximadamente 19 mil habitantes localizada a 542 quilômetros da capital Curitiba, vive um clima de comoção com o caso. "Trata-se de uma tragédia familiar que poderia ter sido evitada e que deixará marcas profundas na comunidade", comentou um morador que preferiu não se identificar.
As investigações continuam em andamento, com novas audiências marcadas para as próximas semanas. A defesa de Jaqueline ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações, mas deverá apresentar sua versão dos fatos durante o processo judicial.



