MPPB emite parecer contrário à liberdade de cantor preso por violência doméstica
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) manifestou-se contrariamente ao pedido de soltura do cantor João Lima, que está preso desde 26 de janeiro no Presídio do Roger, em João Pessoa. O artista foi denunciado por agressões contra sua ex-esposa, a médica e influenciadora Raphaella Brilhante, com imagens de câmeras de segurança registrando os episódios violentos.
Três semanas de prisão e aguardando julgamento
Nesta segunda-feira (16), João Lima completa três semanas de detenção no pavilhão destinado a pessoas presas por crimes enquadrados na Lei Maria da Penha, onde atualmente estão 60 detentos. Após cinco dias em regime de reconhecimento, que incluiu isolamento, o cantor passou a poder receber visitas. Enquanto isso, aguarda o julgamento de um pedido de habeas corpus protocolado por sua defesa em 30 de janeiro.
O MPPB fundamentou sua posição ao afirmar que os fatos indicam uma escalada vertiginosa no comportamento violento e que o comportamento do agente já demonstra efetivamente a propensão ao desrespeito. O relator do caso no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) é o desembargador João Benedito.
Defesa alega falta de fundamentação para prisão
No pedido de habeas corpus, a defesa de João Lima argumenta que não há fundamentação suficiente para mantê-lo preso. O presídio onde ele se encontra também abriga os influenciadores Hytalo Santos e Israel Vicente, que respondem por exploração de menores, estando em uma ala específica para pessoas LGBTQIA+.
Cantor afirma não ter memória das agressões
Em uma conversa telefônica gravada e obtida pela TV Cabo Branco, João Lima disse à ex-esposa que não tem memória das agressões relatadas por ela. Raphaella, durante a ligação, descreveu dores físicas e cobrou um pedido de desculpas que reconhecesse a gravidade dos fatos: Você já me bateu várias vezes, né?! Vamos começar pedindo perdão de verdade, porque do jeito que você faz, é muito fácil. Eu vou ter que ir ao ortopedista hoje. Está me dando choque de dor no osso.
O cantor respondeu, aos prantos: Nada justifica isso. Eu não quero invalidar nada do que aconteceu. O meu problema é que eu não tenho memória disso aí que você me mostrou. Eu não estou dizendo que é mentira nem nada. Raphaella rebateu, afirmando que os episódios não foram isolados e ocorreram desde o casamento, inclusive durante a lua de mel.
Detalhes do caso e denúncias
João Lima passou a ser investigado após vídeos divulgados nas redes sociais mostrarem as agressões. Raphaella registrou um Boletim de Ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de João Pessoa e, em um texto público, descreveu estar enfrentando uma dor que atravessa o corpo, a alma e a história.
Segundo os autos do processo:
- As agressões registradas por câmera de segurança ocorreram em 18 de janeiro.
- João Lima teria agredido a vítima com socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para silenciar seus gritos.
- Ele teria entregado uma faca à mulher e mandado que ela se matasse.
- Três dias depois, o cantor foi à casa da mãe da vítima e fez novas ameaças, dizendo que acabaria com a vida dela caso não reatasse o relacionamento e que, se ela se envolvesse com outra pessoa, mataria ambos.
A advogada da vítima, Dayane Carvalho, explicou que não houve violência durante os dois anos de namoro, mas as agressões começaram após o casamento em novembro de 2025, com câmeras internas da casa registrando alguns episódios. Raphaella relatou: Cinco dias depois, quando eu estava na minha lua de mel, ele já me bateu.
Como denunciar violência contra a mulher
Denúncias de violência doméstica, estupros, tentativas de feminicídio e outros crimes contra mulheres podem ser feitas através dos seguintes canais:
- 197: Disque Denúncia da Polícia Civil.
- 180: Central de Atendimento à Mulher.
- 190: Disque Denúncia da Polícia Militar (em casos de emergência).
