Polícia impede aborto legal após mãe inventar estupro para adolescente de 14 anos em Araguari
Mãe inventa estupro para aborto legal de adolescente em Araguari

Polícia Civil impede aborto legal após descobrir falsa denúncia de estupro em Araguari

A Polícia Civil de Araguari, no Triângulo Mineiro, conseguiu impedir a realização de um aborto legal após investigações revelarem que a mãe de uma adolescente de 14 anos teria inventado um estupro para viabilizar o procedimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo as autoridades, a menina engravidou após manter relação consensual com o namorado, que também é menor de idade, e a versão do crime sexual foi arquitetada pela progenitora.

Investigação desmonta versão do suposto crime

De acordo com a delegada Paula Fernanda de Oliveira, responsável pelo caso, a denúncia chegou à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) há cerca de uma semana, mas a mãe não procurou a polícia inicialmente. "A rede de saúde comunicou o caso à Polícia Civil e informou que já havia feito o encaminhamento para a interrupção da gravidez no Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU)", explicou a autoridade.

As investigações, no entanto, constataram que o estupro não aconteceu. "Provamos através de testemunhas que nada ocorreu na data do suposto crime. Identificamos o namorado da vítima, que reconhece a paternidade", detalhou a delegada. A adolescente também confirmou em depoimento que a versão foi inventada pela mãe para possibilitar o aborto legal no SUS.

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Consequências legais e medidas protetivas

A mãe da adolescente, que não teve nome e idade divulgados, vai responder pelo crime de falsa comunicação de crime, previsto no artigo 340 do Código Penal. A pena pode variar entre detenção de um a seis meses ou pagamento de multa. Além disso, o Conselho Tutelar de Araguari foi acionado para acompanhar o caso, e a guarda da adolescente foi transferida para o pai.

A delegada destacou que a comunicação prévia do hospital com a polícia foi fundamental para evitar que o procedimento fosse realizado. "Para o aborto legal, basta a palavra da vítima e seu representante legal. Neste caso, fomos notificados antes e conseguimos apurar a verdade", afirmou.

Protocolo do aborto legal e alerta à sociedade

No Brasil, o aborto é permitido em três situações específicas:

  1. Quando a gravidez resulta de estupro
  2. Quando há risco à vida da gestante
  3. Em casos de anencefalia fetal

A Polícia Civil ressaltou que a divulgação do caso tem como objetivo alertar a sociedade sobre as consequências graves da distorção de fatos. "Essa conduta compromete investigações, sobrecarrega o sistema público e pode prejudicar vítimas reais de crimes sexuais", afirmou a corporação, reafirmando o compromisso com apurações técnicas e imparciais.

O HC-UFU, hospital de referência na região para procedimentos de aborto legal, foi procurado para comentar o caso, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem.

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