Líder religioso preso em Fortaleza por abusos sexuais em terreiro de umbanda
Um líder religioso de 55 anos está preso em Fortaleza, suspeito de cometer abusos sexuais contra frequentadoras de um terreiro de umbanda localizado no Bairro Monte Castelo. Juscelino Alves Maciel foi detido no dia 19 de março deste ano e é investigado pelos crimes de importunação sexual e violação sexual mediante fraude.
Denúncias de mulheres levam à investigação policial
As investigações tiveram início em janeiro deste ano, quando um grupo de mulheres procurou a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) para relatar os casos. Segundo os depoimentos, o suspeito utilizava sua posição de autoridade espiritual para tocar as partes íntimas das vítimas, incluindo uma adolescente. As denúncias revelam um padrão de abuso que se estendeu por meses, com as vítimas sendo coagidas sob o pretexto de rituais religiosos.
Relatos detalhados de abusos durante rituais
Uma das vítimas descreveu que Juscelino fazia comentários de cunho sexual e, em um determinado momento, avançou fisicamente: "Quando foi um dia, eu fui pedir a benção a ele, ele me puxou e lambeu o meu ouvido. Fugiu do controle". As vítimas afirmam que o pai de santo justificava o contato físico como parte de rituais de purificação, ordenando que as mulheres ficassem nuas para banhos com óleos, leite e bebidas alcoólicas.
Ele alegava que esses procedimentos serviam para afastar "espíritos ruins". "E sempre tinha que ser nua. Ele dizia que tinha que dar esse banho, porque fazia parte da religião. A gente sabe, hoje, que não faz parte, mas no início a gente não sabia, infelizmente", relatou uma das mulheres.
Outra vítima relembrou: "Ele falava que a entidade, quando viesse em mim, não iria aceitar eu estar com roupa, que a entidade ia rasgar a roupa em mim, então era melhor fazer nua mesmo. [Ele dizia que] tinha que passar dendê no meu corpo e seria mais fácil [estando nua]. Eu fiquei super constrangida, falei até para a mulher dele, mas ela disse que a entidade não liga para isso".
Abuso contra menor de idade é relatado por testemunha
Os depoimentos indicam que os banhos aconteciam com frequência e, às vezes, eram acompanhados pela esposa do líder religioso ou por outras frequentadoras do terreiro. As denúncias apontam que os abusos também atingiram uma jovem menor de idade. Uma testemunha afirmou ter presenciado o momento em que Juscelino tocou o corpo da adolescente com o pretexto de realizar uma cura espiritual.
"Teve uma que eu participei, que foi o ápice para mim, que foi uma de menor que ele dizia estar com uma entidade. Ele começou a pegar no seio dela com ela nua, em cima de uma mesa, e ele dizendo que ela tinha um nódulo no seio e só ele poderia tirar. E foi passando mais lá para baixo, quando chegou na virilha e disse que ela tinha um cisto no útero que também só ele podia tirar", descreveu a testemunha.
Ela decidiu, depois dessa situação, se afastar do local: "Não é normal um homem, que se diz pai de santo, querer só meninas magras, novas, sem piercings e tatuagem. Isso começou a ficar na minha cabeça, porque não era normal. Eu decidi sair da casa".
Prisão preventiva e apreensões durante operação policial
Os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão contra o líder religioso foram cumpridos no Bairro Montese, na capital. Com o investigado, a polícia encontrou munições e três simulacros de arma de fogo. Juscelino Alves Maciel passou por audiência de custódia na última sexta-feira (20), após ser preso em flagrante por posse ilegal de munições.
Na ocasião, em conformidade com o parecer do Ministério Público, a Justiça concedeu liberdade provisória ao autuado, segundo o Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE). Contudo, o líder religioso permaneceu preso em razão da existência de mandado de prisão em aberto em seu desfavor, pelos crimes sexuais, expedido pela 15ª Vara Criminal da Comarca de Fortaleza.
Apoio jurídico e psicológico para as vítimas
As vítimas estão recebendo apoio jurídico e psicológico de uma associação cearense especializada no atendimento a mulheres que sofreram violência. A Delegacia de Defesa da Mulher está à frente das investigações policiais do caso, garantindo que as denúncias sejam tratadas com a devida seriedade e que as vítimas tenham acesso aos recursos necessários para superar o trauma.



