Julgamento por feminicídio em Suzano ocorre em segredo de justiça nesta quinta-feira
Julgamento por feminicídio em Suzano ocorre em segredo de justiça

Julgamento por feminicídio em Suzano ocorre em segredo de justiça

O júri popular de Yan Oliveira, acusado de matar a ex-namorada Isabelly Joanna Silva De Santana, de 20 anos, teve início nesta quinta-feira (26) no Fórum de Suzano, na Grande São Paulo. O processo judicial começou por volta das 10h30, após um atraso na chegada do réu ao tribunal.

Sessão ocorre sem acesso do público e da imprensa

Em nota oficial à TV Diário, o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP) esclareceu que o julgamento está sendo realizado em segredo de justiça, conforme determinação legal para processos envolvendo violência doméstica e familiar contra mulheres. A medida tem como objetivo principal a proteção da intimidade da vítima.

"Em razão do segredo de Justiça, imposto por lei a todos os processos envolvendo violência doméstica e familiar contra a mulher, para a proteção da intimidade da vítima, não foi permitido o acesso ao público no plenário", afirmou o TJ-SP na nota completa.

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Família e amigos se reúnem em frente ao fórum

Antes do início do julgamento, familiares e amigos de Isabelly se reuniram em frente ao fórum em demonstração de apoio. A mãe da jovem e outras quatro pessoas próximas foram ouvidas como testemunhas durante o processo, relatando detalhes sobre o relacionamento do casal.

Graciane Lourenço, amiga da vítima, expressou frustração por não poder acompanhar o julgamento pessoalmente: "A gente pergunta, eles não dão informação. Se tem 60 lugares lá dentro, nem que [fosse para] falar assim, só pode entrar 15 pessoas, mas acho que é um direito que não deveria ser retirado de nós."

Irmão da vítima fala sobre busca por justiça

Vinicius Gabriel da Silva, irmão de Isabelly, destacou que o julgamento não trará sua irmã de volta, mas representa um importante passo na busca por justiça. "Como família, a gente quer que ele pague pelo que ele fez, mas também eu acho que a nossa sociedade tá precisando, né, de um exemplo. No ano passado a gente teve recorde de feminicídio", afirmou.

O irmão da vítima ainda ressaltou o significado social do processo: "Então, talvez a gente esteja aqui pela minha irmã, claro, mas não só por ela, né, mas pelas outras 1,4 mil mulheres que morreram no ano passado e que a gente precisa dar um recado, que a nossa sociedade não pode aceitar isso."

Relembre os detalhes do caso

Isabelly Joanna Silva De Santana morreu no dia 15 de maio de 2025 após ser esfaqueada pelo ex-companheiro na rua Biotônico, na Vila Urupês, em Suzano. De acordo com o boletim de ocorrência, o jovem surpreendeu a vítima na rua e a golpeou pelas costas, na região lombar, com uma faca.

A jovem chegou a ser socorrida com vida e levada ao Hospital e Maternidade de Suzano (HMS), mas não resistiu aos graves ferimentos. O acusado confessou a autoria do crime, alegando que mantinha um relacionamento anterior com a vítima e que estava sendo difamado por ela, sem especificar o conteúdo dessa suposta difamação.

Procedimentos do julgamento

O Tribunal de Justiça de São Paulo informou que a regra do segredo de justiça será aplicada a todos os processos submetidos ao plenário do júri na Comarca de Suzano que envolvam violência contra mulheres. Apenas a mãe da vítima, habilitada como assistente de acusação, tem permissão para acompanhar as sessões do plenário.

A TV Diário tentou contato com a defesa do acusado, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem. O julgamento continua em andamento sob as restrições de acesso determinadas pela justiça paulista.

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