Julgamento de homem acusado de matar mãe por herança começa em Guarujá
O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) confirmou que o julgamento de Bruno Eustáquio Vieira, de 27 anos, acusado de assassinar a própria mãe por interesse na herança, será realizado nesta quinta-feira (16) no Fórum Criminal de Guarujá, no litoral paulista. O réu enfrentará um júri popular onde serão ouvidas 11 testemunhas, incluindo seu próprio interrogatório.
Crime ocorreu em dezembro de 2020 com imagens chocantes
Márcia Lanzane foi morta no dia 21 de dezembro de 2020, na residência onde a família morava em Guarujá. Durante as investigações, a polícia encontrou imagens de monitoramento do imóvel dentro do forno, que mostravam mãe e filho em intensa luta corporal. Nas gravações, é possível ver Bruno sobre a mãe, apertando seu pescoço e desferindo socos.
O Ministério Público sustenta que o crime foi motivado pelo interesse na herança. Bruno permaneceu foragido por três anos até ser preso no dia 8 de julho de 2025, em Belo Horizonte. A irmã da vítima, Mariusa Lanzane, gravou um vídeo nas redes sociais informando sobre o julgamento e expressando seu desejo por justiça, afirmando que busca a pena máxima para o acusado.
Defesa alega que morte não ocorreu durante as agressões
Em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, a defesa de Bruno, representada pelo advogado Anderson Real, afirmou que o cliente não nega os fatos nem a briga com a mãe, mas contesta que a morte tenha ocorrido no momento registrado pelas câmeras. Segundo a defesa, houve agressões mútuas e Bruno só descobriu que a mãe estava morta na manhã seguinte, quando foi acordá-la.
Anderson Real explicou que a briga começou porque Bruno pretendia sair de casa para morar com uma namorada, após se formar em Direito e passar em um vestibular para Medicina. O advogado também mencionou que o laudo do Instituto Médico Legal (IML) constatou fratura no osso hioide, mas argumenta que isso não necessariamente indica morte por estrangulamento.
"Qualquer aperto, qualquer força realmente causa a sua fratura, mas isso não quer dizer que ela morreu em decorrência da esganadura", complementou o defensor. A estratégia da defesa é questionar a causa da morte, buscando comprovar que ela pode ter ocorrido por outros motivos, o que diminuiria a responsabilidade de Bruno. Além disso, a defesa pede que o acusado não seja julgado por feminicídio, alegando que a vítima não foi morta por ser mulher, mas sim em decorrência de uma discussão.
Acusação destaca busca incessante por justiça
O advogado de acusação, Caio Fernando, destacou que as irmãs de Márcia nunca deixaram de acompanhar o caso, mesmo com recursos limitados. "Mesmo sem muitos meios, sem muitos recursos, elas nunca deixaram de acompanhar o caso do jeito que puderam, ir na delegacia, de ficar em cima no Fórum para ver qualquer ato que seja", afirmou.
Na manhã seguinte ao crime, Bruno saiu de casa e retornou ao imóvel, quando acionou a polícia dizendo ter encontrado a mãe morta. O inquérito policial foi concluído em 31 de maio de 2021 e encaminhado à Justiça, que determinou a prisão temporária de Bruno. A juíza Denise Gomes Bezerra Mota, da 1ª Vara Criminal de Guarujá, manteve a prisão preventiva, considerando o crime extremamente grave e a falta de cooperação do réu.
O caso continua a gerar comoção na comunidade de Guarujá, com expectativa para o desfecho do julgamento que promete trazer respostas sobre um dos crimes mais chocantes registrados na região.



