Itapetininga enfrenta onda de violência sexual com números alarmantes no início de 2026
A cidade de Itapetininga, no interior de São Paulo, registrou um cenário preocupante de violência nos dois primeiros meses deste ano. De acordo com dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), foram contabilizados 20 casos de estupro entre janeiro e fevereiro de 2026, um número que supera os 17 registros de roubo no mesmo período.
Dados revelam aumento significativo e vulnerabilidade
Dos 20 casos de estupro registrados, 15 foram cometidos contra pessoas consideradas vulneráveis, ou seja, menores de 14 anos ou indivíduos com deficiência física ou mental. Em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando houve 13 estupros e 12 roubos, os números mostram uma escalada significativa da violência sexual na região.
No acumulado do ano de 2025, Itapetininga contabilizou 86 registros de estupro e 92 de roubo, indicando uma tendência preocupante que se mantém. Enquanto os homicídios caíram de dois para um entre janeiro e fevereiro de 2025 e 2026, as tentativas de homicídio aumentaram de um para quatro no mesmo intervalo.
Especialista alerta para subnotificação e defende educação
A presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção de Itapetininga, Vivian Francelino, avalia a situação com extrema preocupação. "Nossa maior preocupação, no entanto, é que esses números não refletem a realidade, já que muitos casos são subnotificados ou sequer chegam a ser denunciados", analisa a advogada.
Vivian destaca que, apesar dos índices alarmantes, a cidade conta com uma rede de enfrentamento que garante acolhimento e assistência a mulheres e crianças vítimas de violência. No entanto, ela ressalta a necessidade de medidas preventivas: "Infelizmente, no contexto da violência, só podemos atuar após os fatos. Acreditamos que só a educação, tanto das nossas crianças, quanto dos agressores, venceremos o ciclo enraizado em nossa sociedade".
Projeto OAB Por Elas oferece apoio jurídico e psicológico
A OAB mantém em Itapetininga o projeto "OAB Por Elas", voltado especificamente para o atendimento de mulheres vítimas de violência. O programa oferece:
- Atendimento voluntário em dois plantões semanais
- Acolhimento por advogadas voluntárias
- Encaminhamento para a rede de enfrentamento conforme necessidade
- Orientações jurídicas especializadas
- Palestras educativas em escolas sobre violência de gênero
Os plantões são realizados às segundas-feiras, das 13h às 17h, na Sala Lilás anexa ao Plantão Policial Civil, e às quintas-feiras, das 13h30 às 15h, na Casa do Advogado.
Autoridades reforçam medidas de combate à violência
A SSP-SP informou que o enfrentamento à violência contra a mulher é prioridade do Governo de São Paulo, com ampliação contínua da rede de proteção. O estado conta atualmente com:
- 144 Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs)
- 173 Salas DDM para atendimento remoto
- Reforço de mais de 650 policiais especializados
"Apenas nos últimos dois meses, foram presos mais de 1,1 mil homens em flagrante e mais de 800 condenados por crimes contra mulheres", destacou a secretaria em nota oficial.
A Prefeitura de Itapetininga, por sua vez, afirma estar comprometida com ações preventivas e de combate à violência de gênero. Em 2023, foi instituída a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres, que integra diversos órgãos na elaboração de estratégias de enfrentamento.
A Guarda Civil Municipal realiza monitoramento e patrulhamento ostensivo diário em apoio à Polícia Militar, com atuação intensificada em áreas específicas. Recentemente, a prefeitura investiu no aparelhamento da corporação com:
- Aquisição de 12 novas viaturas
- Armamentos para agentes de segurança
- Criação de plano de carreira
- Ampliação de mais de 100% do efetivo
A Delegacia de Defesa da Mulher de Itapetininga registra em média três casos de violência contra mulheres por dia, um indicativo da dimensão do problema que exige atenção contínua das autoridades e da sociedade como um todo.



