Uma moradora de Teresina, que optou por não se identificar, registrou em vídeo o próprio pai espiando ela e a filha, uma criança de 2 anos, enquanto tomavam banho. O caso ocorreu na residência da família, localizada na Zona Sudeste da capital piauiense. As imagens foram gravadas em 2023, quando a jovem notou alterações no comportamento da filha e passou a suspeitar de possíveis abusos. No entanto, o vídeo só ganhou repercussão recentemente, após surgirem outras denúncias contra o suspeito.
Detalhes da gravação
No vídeo, a mulher posiciona o celular de forma estratégica para filmar a porta do banheiro e chama a criança para o banho. Pouco depois, o homem aparece e se deita no chão, do lado externo, próximo à parte inferior da porta, de onde consegue observar o interior do banheiro. A identidade do suspeito e detalhes do imóvel foram ocultados para proteger as vítimas.
Denúncia à polícia
Com as imagens em mãos, a jovem deixou a casa e registrou uma denúncia contra o próprio pai na delegacia. No boletim de ocorrência, ela também revelou que foi vítima de abusos sexuais cometidos pelo homem entre os 5 e 10 anos de idade. O g1 teve acesso ao documento. A mulher afirmou que a filha passou por exames e que a Polícia Civil chegou a visitar a nova residência dela. Insatisfeita com a falta de respostas, ela fez uma nova denúncia dois anos depois.
Repercussão e novas vítimas
As imagens foram compartilhadas em um grupo de moradores do bairro por um familiar, como forma de alerta, após o homem ser acusado de atitudes semelhantes por outras pessoas. “Estavam aparecendo novas vítimas. Algumas pessoas relataram que ele invadiu uma casa para espiar crianças e outras denúncias. Aí um familiar jogou o vídeo no grupo e acabou espalhando. Eu só espero que agora ele seja preso, porque quero viver em paz com a minha filha”, declarou a mulher.
Após a viralização, a vítima registrou um novo boletim de ocorrência. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Proteção ao Menor e ao Adolescente (DPCA). A delegada Rosa Chaib informou que apura o caso e verifica a existência de outras denúncias contra o homem.
Histórico de abusos
A mulher contou que sofreu abusos do pai durante a infância, entre os 5 e 10 anos, mas não denunciou por não compreender a situação e por falta de apoio familiar. “Ele ameaçava me matar na época se eu contasse para a minha mãe sobre o que ele fazia, mas quando contei, ela não acreditou em mim. Depois de alguns anos ele pediu perdão e eu cheguei a perdoar. Implorei para que ele parasse com aquilo e ele apresentou certa mudança. Como eu cresci tendo que deixar as coisas para lá, fiquei desamparada”, relatou.
Coragem para obter provas
A vítima chegou a se casar e sair de casa, mas retornou à residência da família após a morte do marido, quando a filha ainda tinha seis meses. Com o tempo, percebeu que a criança passou a demonstrar medo e a rejeitar gestos de carinho, comportamento notado quando tinha dois anos. “Eu não tinha para onde ir e voltei. E aí com o tempo percebi um comportamento estranho, diferente nela. Um dia disse para mim que eu não deveria tocar nela, e aí percebi que ele já estava querendo agir para o lado dela, mas precisava ter provas. Eu tive que ser forte e ficar lá até ter provas, para acreditarem em mim”, afirmou a mãe.
Ela suspeitava que o pai observava ela e a neta durante o banho. Para comprovar, escondeu o celular e gravou o momento. O vídeo foi entregue à polícia como prova.



