Feminicídios em Praia Grande: Duas mulheres mortas por companheiros em menos de 24 horas
Feminicídios em Praia Grande: Duas mortes em menos de 24h

Feminicídios em Praia Grande: Duas mulheres mortas por companheiros em menos de 24 horas

Em menos de 24 horas, duas mulheres foram brutalmente assassinadas pelos companheiros em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Os crimes, ocorridos durante o fim de semana do Dia Internacional da Mulher, destacam a gravidade do avanço dos feminicídios na região da Baixada Santista. Apenas no início deste ano, pelo menos seis mulheres foram vítimas de assassinatos brutais cometidos por ex ou atuais parceiros, evidenciando uma crise de violência de gênero que exige atenção urgente.

Detalhes dos crimes recentes

Katiana Oliveira, de 40 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro Eronildo Manoel da Silva na manhã de sábado, dia 7 de março. No dia seguinte, durante a madrugada, Thaís Rodrigues, de 34 anos, foi assassinada pelo marido Pedro Ubiratan de Oliveira, pai de suas três filhas. Ambas as vítimas foram sepultadas na segunda-feira, dia 9 de março, no Cemitério Morada da Grande Planície, localizado no bairro Vila Antártica. Os autores dos crimes foram presos em flagrante, mas as tragédias deixam famílias devastadas e uma comunidade em alerta.

Poucos dias antes, uma jovem grávida foi encontrada morta ao lado do companheiro, que estava enforcado, em Praia Grande. Segundo o boletim de ocorrência, os corpos estavam em avançado estado de decomposição quando foram descobertos por um vizinho na quinta-feira, dia 5 de março. O caso foi registrado como suicídio do homem e morte suspeita da mulher, levantando questões sobre a necessidade de investigações mais aprofundadas em situações de violência doméstica.

Outros casos de feminicídio na Baixada Santista

O g1 reuniu uma lista de outros casos de feminicídio registrados na Baixada Santista neste ano, demonstrando um padrão alarmante de violência contra mulheres. Relembre os crimes por ordem cronológica:

  • 2 de janeiro: Jéssica Santos de Sousa, de 33 anos, foi encontrada esfaqueada em um imóvel em Praia Grande. O suspeito Henrique da Silva Miranda, de 42 anos, foi preso dias depois. A investigação indica que ele estaria começando a se envolver com a vítima.
  • 18 de janeiro: Geovana Stefany Trajano Silva, de 19 anos, foi encontrada morta com um tiro na nuca em Itanhaém. O companheiro da vítima, Juan Gustavo Nelson Ascenço da Silva, de 18 anos, fugiu após o crime e foi preso um mês depois.
  • 20 de janeiro: Barbara Denise Folha de Oliveira, de 34 anos, foi encontrada morta dentro da própria casa em São Vicente, com moedas dentro da boca e ao redor do corpo. O ex-marido dela, Manoel Ferro de Melo, confessou o crime e foi preso.
  • 7 de fevereiro: Ana Paula Ferreira Campos foi encontrada morta em um quarto de motel em Santos. Segundo a família, ela foi levada ao local à força pelo ex-companheiro, Flávio Alves da Silva, encontrado enforcado no banheiro com um lençol.
  • 5 de março: Jade Muniz foi encontrada morta ao lado do companheiro, que estava enforcado, em Praia Grande. A vítima estava grávida, acrescentando uma camada de tragédia ao caso.

Resposta das autoridades e outros achados

Procurada pelo g1, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que não possui um balanço consolidado sobre feminicídios na Baixada Santista. A pasta também não respondeu sobre ações preventivas no município, levantando preocupações sobre a eficácia das políticas públicas no combate à violência de gênero.

Além dos feminicídios, pelo menos quatro mulheres foram encontradas mortas na Baixada Santista em locais como a praia de Itanhaém, o lixão de Praia Grande, a catraia em Santos e a rodovia de São Vicente. Até o momento, a única vítima com sinais de violência confirmados é a mulher encontrada no canteiro central da Rodovia dos Imigrantes, cujo caso é investigado como morte suspeita.

O que caracteriza o feminicídio?

O feminicídio é um crime definido como o assassinato de uma mulher motivado por questões de gênero, frequentemente em contextos de violência doméstica ou familiar. No Brasil, a Lei do Feminicídio (Lei 13.104/2015) tipifica esse crime como homicídio qualificado, com penas mais severas, visando combater a violência contra as mulheres e promover a igualdade de direitos.