Feminicídios no Brasil registram aumento alarmante de 4,7% em 2025
O Brasil contabilizou 1.568 vítimas de feminicídio no ano de 2025, representando uma alta preocupante de 4,7% em comparação com os números de 2024. Desde a promulgação da Lei do Feminicídio em 2015, o país já acumula mais de 13,7 mil casos desse crime hediondo. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (4) pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, através do estudo Retrato dos Feminicídios no Brasil.
Perfil das vítimas e cenário geográfico
De acordo com a pesquisa, as mulheres negras continuam sendo as principais vítimas dessa violência, e a maioria esmagadora dos crimes ocorre dentro do ambiente doméstico. A diretora-executiva da organização, Samira Bueno, expressou profunda preocupação com os resultados, destacando especialmente a situação do Amapá, que registrou o maior crescimento percentual entre 2021 e 2025.
"Ao longo dos últimos anos a gente vinha falando de um crescimento de 1%, 1,5% dos feminicídios, quase uma estabilidade. Esse ano, infelizmente, em 2025, a gente teve um crescimento expressivo de 4,7%. E quando a gente compara com 2021, o crescimento chega a 14,5%", afirmou Bueno.
A diretora ressaltou ainda: "E aí destaco aqui também alguns casos. A gente tem o Amapá com um crescimento de 120%", evidenciando a gravidade da situação no estado nortista.
São Paulo em segundo lugar com aumento de 96%
O estado de São Paulo ocupa a segunda posição no ranking nacional de feminicídios, registrando um aumento superior a 96% e totalizando 270 vítimas em 2025. Samira Bueno comentou sobre a preocupante situação paulista:
"O caso de São Paulo, realmente, fica uma preocupação. A gente tem vários casos recentes que mostram um pouco que o que a gente está vendo na imprensa, é de algum modo o que de fato está acontecendo, está se traduzindo nas estatísticas".
Falhas nas medidas protetivas e perfil dos agressores
A análise do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que aproximadamente 13% das vítimas possuíam Medida Protetiva de Urgência no momento em que foram assassinadas. Samira Bueno explicou essa triste realidade:
"Nós descobrimos que 148 vítimas tinham medida protetiva de urgência no momento em que foram assassinadas. Mesmo assim, foram mortas".
Além disso, o levantamento aponta que:
- A maior parte das agressões foi cometida por parceiros ou ex-parceiros das vítimas
- Os principais instrumentos utilizados foram armas brancas, incluindo facas, machados e canivetes
- O ambiente doméstico continua sendo o local mais frequente para a ocorrência desses crimes
- Há uma disparidade racial significativa no perfil das vítimas
Os dados apresentados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública servem como um alerta urgente para a necessidade de políticas públicas mais eficazes no combate à violência contra as mulheres no Brasil. O crescimento expressivo dos números em 2025, após anos de relativa estabilidade, indica que o problema está longe de ser resolvido e requer atenção imediata das autoridades em todos os níveis de governo.
