Mulher é vítima de feminicídio em Santarém após revogar medida protetiva
A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Santarém, no oeste do Pará, investiga as circunstâncias do feminicídio ocorrido na madrugada desta quinta-feira (19), na avenida Cuiabá, próximo ao viaduto da cidade. A vítima, identificada como Caroline Carneiro Ferreira, conhecida nas redes sociais como Caroline Trinca, foi encontrada morta com um tiro na cabeça dentro de um veículo.
Detalhes do crime e relação com o agressor
De acordo com informações da polícia, Caroline estava acompanhada do companheiro, Renato Matos Parente, de 31 anos, policial penal, momentos antes do crime. "Os levantamentos preliminares apontam que eles estavam em um bar da cidade consumindo bebida alcoólica. Estamos intimando algumas pessoas para serem ouvidas, mas a informação que temos é que, depois que eles saíram do bar, aconteceu esse fato", explicou a delegada Andreza Souza, titular da Deam.
A delegada revelou um dado crucial: em 2025, Caroline havia procurado a delegacia da mulher para denunciar ameaças feitas por Renato, solicitando uma medida protetiva. No entanto, algum tempo depois, a vítima foi à Vara de Violência Doméstica e Familiar e pediu a revogação da medida, reatando o relacionamento. "Ela realmente pediu a revogação da medida protetiva e reatou o relacionamento, que infelizmente teve esse resultado", lamentou Andreza Souza.
Cenário do crime e situação do agressor
O corpo de Caroline foi encontrado no banco do passageiro de um carro, com parte do corpo para fora do veículo, indicando uma possível tentativa de fuga. No banco do carona, Renato Parente foi localizado com um ferimento de arma de fogo na cabeça. Ele foi socorrido com vida e encaminhado ao Pronto Socorro Municipal de Santarém, onde deu entrada às 4h30, em estado grave. Até a última atualização, o agressor seguia na sala de estabilização do Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo.
O caso foi encaminhado à Deam pela 16ª Seccional Urbana de Santarém no início da manhã de quinta-feira, e a equipe policial já iniciou os procedimentos para abertura do inquérito. "Até o momento, o agressor está vivo, ele está internado no hospital. Nós vamos levantar as informações necessárias para instruir o inquérito desse crime de feminicídio consumado", afirmou a delegada.
Estatísticas alarmantes de violência contra a mulher
Dados da Deam de Santarém mostram um cenário preocupante:
- Em 2024, foram registrados cinco feminicídios na cidade.
- Em 2025, o número caiu para dois casos.
- Nos primeiros três meses de 2026, já foram contabilizados mais dois feminicídios, incluindo o de Caroline.
A delegada Andreza Souza destacou a importância da prevenção e do combate à escalada de violência: "Sempre fazemos campanhas de caráter preventivo e tentamos combater a escalada de violência contra a mulher, mas, infelizmente, os crimes continuam acontecendo. As vítimas precisam buscar ajuda e entender que isso pode acontecer com qualquer pessoa. O que a gente percebe é que muitas relevam as ameaças e perseguições porque acham que não vai acontecer com elas".
Reflexão sobre a liberdade da vítima
Andreza Souza também explicou o aspecto legal da medida protetiva: "A medida protetiva é uma opção exclusivamente da vítima; não cabe ao juiz nem ao delegado decidir se vai persistir ou não. É uma liberalidade, depende da vontade da vítima". Essa observação ressalta a complexidade dos casos de violência doméstica, onde a decisão da vítima pode ter consequências trágicas, como evidenciado neste episódio.
O feminicídio de Caroline Carneiro Ferreira chama a atenção não apenas pela brutalidade do crime, mas também pelo histórico de violência que antecedeu o desfecho fatal. As investigações continuam para esclarecer todos os detalhes do ocorrido, enquanto a comunidade de Santarém lamenta mais uma vida perdida para a violência de gênero.



