Novas imagens de câmeras de segurança revelam detalhes do feminicídio de Fabiana Cristina Lacerda Batista, de 42 anos, ocorrido em Barrinha (SP). Antes de ser preso em flagrante, o ex-marido Paulo Henrique Batista enviou áudios por mensagens de celular à filha do casal, nos quais afirmava não temer punições e dizia conhecer profundamente a Lei Maria da Penha, que trata da violência doméstica no Brasil.
Nos áudios, obtidos pela Polícia Civil no inquérito, Paulo declarou: "Quando eu sair daqui eu tenho certeza que eu não vou ficar preso, minha filha. Eu conheço a Lei Maria da Penha de trás pra frente. Eu estudei a história dela." A mensagem foi enviada ainda quando ele havia obtido o direito de responder em liberdade, após uma primeira prisão por agressão contra Fabiana em fevereiro, quando a atacou com uma faca, conforme denúncias. A condição imposta era que ele não se aproximasse da vítima.
Histórico de violência e ameaças
Fabiana foi casada com Paulo por 25 anos. Após a separação, ela obteve uma medida protetiva contra o homem, descrito pela filha como agressivo e controlador, que enviava mensagens com ameaças. A EPTV, afiliada da TV Globo, teve acesso a um post em rede social no qual Paulo, com voz modificada e sem direcionar a fala, dizia: "Você pode correr, tentar se esconder, mas estou chegando." Por causa das ameaças, a vítima deixou Itaú de Minas (MG), cidade onde vivia com o suspeito, e mudou-se para Barrinha. Em fevereiro, Paulo chegou a ser preso por agressão em Monte Santo de Minas (MG), mas foi liberado em audiência de custódia.
O crime
As imagens de segurança mostram que Paulo Henrique chegou à avenida por volta das 18h45, cerca de uma hora antes do feminicídio. Ele atravessou a rua, foi até um carrinho de espetinho, fez um pedido e ficou sentado por alguns minutos. Quando o veículo onde Fabiana estava estacionou, por volta das 19h50, o atirador se levantou, correu em volta do carro e surpreendeu a vítima. A costureira chegou a sair do veículo, mas caiu no chão. O áudio da câmera de segurança captou os gritos de socorro sendo interrompidos pelos seis disparos.
A irmã de Fabiana, que também estava no veículo, presenciou o crime e por pouco não foi atingida. "Ela tentou pular para o meu lado e eu tentei pegar na mãozinha dela. Quando eu pego, ele me olha do outro lado, aponta a arma de novo para mim e falou: 'Você está aí ainda? Você não vai correr?'. E aí eu tive que soltar a mão dela", relatou Lorena.
Prisão e sepultamento
O suspeito fugiu a pé logo após os disparos, mas foi localizado pela Polícia Militar a cerca de cem metros do local. Paulo Henrique foi preso em flagrante e internado na Santa Casa de Sertãozinho sob escolta policial, pois, segundo a PM, ele foi atropelado e hostilizado durante uma confusão após a morte de Fabiana. O revólver calibre 38 utilizado no crime, com a numeração raspada, foi apreendido pela Secretaria de Segurança Pública (SSP).
O corpo de Fabiana é velado na manhã desta segunda-feira (4). O sepultamento está marcado para as 14h, no cemitério municipal de Pratápolis (MG). "Não tem nem palavras para descrever a brutalidade, a sangue frio, chegar e atirar seis vezes contra uma pessoa porque ele simplesmente não aceitou o fim do relacionamento", lamentou a filha.



