Feminicídio em Aguaí: Homem mata esposa, fere policial e se entrega após 6 horas de negociação
Feminicídio em Aguaí: marido mata esposa e fere policial após 6h

Feminicídio em Aguaí choca comunidade e gera indignação nas redes sociais

Um caso de feminicídio ocorrido na noite de quarta-feira (4) em Aguaí, no interior de São Paulo, deixou a população em estado de choque e revolta. Roseli Candido Valente, de 48 anos, foi assassinada pelo próprio marido, Valter Humberto Reis Valente, de 49 anos, com um tiro no rosto. O crime, que aconteceu na residência do casal na Rua Ercília Cruz Ramos, no bairro Dona dos Anjos Macedo, desencadeou uma intensa operação policial que durou seis horas, culminando na rendição do suspeito após uma troca de tiros que feriu um policial militar.

Detalhes do crime e a reação das redes sociais

Segundo relatos da Polícia Civil, Valter chegou em casa alterado, portando uma arma, e iniciou uma série de ameaças contra a esposa. A situação escalou rapidamente, resultando no disparo fatal. A irmã do suspeito, que recebeu uma ligação do celular de Roseli por volta das 21h, ouviu gritos ao fundo e, ao se dirigir ao local com outra irmã, testemunhou uma discussão intensa seguida de um tiro. Ao entrar na casa, encontraram Valter transtornado, segurando uma arma, enquanto Roseli já estava caída no chão, sem vida.

Nas redes sociais, centenas de comentários expressaram profunda indignação com o ocorrido. Usuários lamentaram a perda de mais uma vida em um contexto de violência doméstica e criticaram a impunidade que muitas vezes cerca esses casos. "Não sei o que está acontecendo com esses homens. Qualquer coisa que a gente faz eles falam logo em matar. Querem ser donos da gente", desabafou Sebastiana Simões. Outros, como George Santos, destacaram o cansaço diante da frequência de assassinatos de mulheres no Brasil, pedindo por justiça e medidas mais rigorosas.

Confronto policial e a rendição do suspeito

Após o crime, a situação evoluiu para um confronto armado quando Valter saiu da casa e efetuou disparos para o alto, assustando as irmãs que se abrigaram na casa de uma vizinha. Com a chegada da polícia, o Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE) foi acionado. Após intensas negociações, que envolveram também o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), Corpo de Bombeiros e Guarda Civil Municipal (GCM), Valter finalmente se entregou. Durante a operação, ele feriu um policial militar com seus disparos.

Após a rendição, os agentes vistoriaram o imóvel e encontraram uma pistola calibre 380 com a numeração removida, além de munições e cartuchos deflagrados. Dois celulares também foram apreendidos como parte das investigações. Valter foi levado ao pronto-socorro para exames e, posteriormente, encaminhado à delegacia, onde teve a prisão preventiva decretada.

Contexto do suspeito e impacto na comunidade

Em depoimento à polícia, a irmã de Valter revelou que ele começou a usar cocaína e ingerir bebidas alcoólicas desde setembro de 2025, apresentando alterações comportamentais como esquecimento, alucinações e episódios de perseguição. Ela afirmou que o casal tinha um relacionamento aparentemente normal, sem histórico de violência, e duas filhas adultas, de 28 e 30 anos.

O corpo de Roseli foi velado no Velório Municipal de Aguaí, e o enterro está previsto para esta sexta-feira (6), às 11h. O caso reforça a preocupação com a violência de gênero no Brasil, onde um levantamento exclusivo aponta que 336 homens são procurados por crimes de feminicídio, muitos deles com mandados de prisão pendentes. A tragédia em Aguaí serve como um alerta para a necessidade de políticas públicas mais eficazes e apoio às vítimas de abuso.