Seis meses após feminicídio de empresária em Governador Valadares, família clama por justiça
Feminicídio completa seis meses; família cobra justiça em MG

Seis meses de dor e luta por justiça: família de empresária assassinada em Governador Valadares ainda aguarda respostas

Completaram-se seis meses desde o brutal feminicídio da empresária Ingrid Emanuelle Santos, ocorrido no dia 10 de setembro de 2025, no bairro Parque Olímpico, em Governador Valadares, no Leste de Minas Gerais. A família da vítima continua imersa em profundo sofrimento enquanto cobra celeridade na aplicação da justiça, já que os principais suspeitos – o ex-marido de Ingrid e um intermediário – permanecem foragidos.

Crime planejado e execução cruel

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o assassinato foi meticulosamente planejado pelo ex-marido da vítima, Roney Costa Vieira. Dois homens se passaram por entregadores de açaí – supostamente um presente enviado por Roney – para ganhar acesso à residência. Quando Ingrid abriu o portão, foi rendida e levada para dentro de casa.

A empresária foi encontrada com as mãos amarradas com fita de nylon e apresentava cortes profundos no pescoço. Os executores materiais do crime foram presos apenas dois dias depois, em um ônibus no estado de Goiás. As investigações apontam que o feminicídio foi encomendado por aproximadamente R$ 80 mil, com Luiz Carlos de Souza Oliveira, funcionário de Roney, atuando como intermediário do pagamento.

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Família enfrenta duplo desafio: luto e explicações à filha

Naiana, irmã de Ingrid, descreve o cotidiano da família como uma tortura constante. “Doloroso demais. Cada dia é uma tortura, cada dia um sofrimento. Na verdade, ela se foi e um pouco de nós se foi junto com ela também”, afirmou em entrevista emocionada.

Além do luto, a família enfrenta o delicado desafio de explicar a ausência da mãe para a filha de Ingrid, hoje com apenas três anos de idade. A criança está sob os cuidados de parentes e, segundo Naiana, frequentemente pergunta pela mãe. “Ela fala que quer pegar um avião para ir ao céu ficar perto da estrelinha que é a mãe dela. É como se enfiassem uma faca no nosso coração ouvir isso e ter que tentar dar uma resposta que conforte”, relatou a irmã.

Motivação do crime: fim do relacionamento e disputa pela guarda

Para a família, a motivação do feminicídio está diretamente ligada ao término do relacionamento e à disputa pela guarda da filha do casal. “Quando ela colocou um basta e decidiu que não queria mais o relacionamento, ele não aceitava. Ele decidiu que ela não merecia viver”, explicou Naiana.

Especialistas ouvidos sobre o caso destacam que situações como essa refletem uma cultura de violência contra a mulher ainda profundamente enraizada. A psicóloga Sabrina Bertolini aponta que muitos homens são criados sem aprender a lidar adequadamente com frustrações e emoções, o que pode culminar em comportamentos violentos extremos.

Já a delegada Adeliana Xavier ressalta que a violência doméstica frequentemente começa de forma sutil, com humilhações e constrangimentos que muitas vezes são minimizados ou ignorados pelas vítimas e por seu círculo social.

Andamento processual e busca por justiça

A Polícia Civil informou que tanto Roney Costa Vieira quanto Luiz Carlos de Souza Oliveira foram indiciados pelo crime e seguem foragidos. O inquérito já foi concluído e encaminhado à Justiça, encontrando-se atualmente na fase processual.

A família mantém a esperança de que todos os envolvidos sejam devidamente responsabilizados. “Eles acabaram com o sonho de uma criança de três anos. Eu espero que sejam pegos e paguem pelo que fizeram. Não vai trazer a Emanuelle de volta, mas eles precisam pagar”, declarou Naiana, ecoando o sentimento de milhares de famílias que enfrentam situações similares em todo o país.

O Ministério Público foi contactado para comentar o andamento do processo, mas não se manifestou até o fechamento desta reportagem. Enquanto isso, a família de Ingrid Emanuelle segue unida no luto e na luta por justiça, representando todas as vítimas de violência de gênero que clamam por um sistema mais eficiente e sensível a suas dores.

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