Ex-marido suspeito de matar costureira a tiros já havia sido preso por agressão com faca
Ex-marido já havia sido preso por atacar costureira com faca

O ex-marido da costureira Fabiana Cristina Lacerda Batista, de 42 anos, suspeito de matá-la a tiros, já havia sido preso anteriormente por agredi-la e ameaçá-la com uma faca. Paulo Henrique Batista, também de 42 anos, foi encaminhado a um presídio em Monte Santo de Minas (MG), mas liberado um dia depois durante audiência de custódia.

Medida protetiva ignorada

Apesar de possuir uma medida protetiva contra o ex-companheiro, Fabiana foi morta com seis tiros na noite de sábado (2), na Avenida Costa e Silva, em Barrinha (SP). Câmeras de segurança registraram o momento em que a vítima foi surpreendida pelo atirador dentro de um carro.

“Ele sempre foi muito agressivo, muito estourado. Já presenciei várias vezes ele colocando a mão nela, enforcando. Até que chegou um dia, um domingo de madrugada, ele pegou uma faca, começou a bater essa faca e gritar. Foi para cima dela. A gente foi na delegacia e fez um boletim de ocorrência”, relembra a filha, Lyris Lanna.

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Controle e ameaças

Segundo a família, a costureira havia encerrado o relacionamento de 25 anos em abril. Em busca de um recomeço, ela deixou a cidade de Itaú de Minas (MG), alugou uma casa em Barrinha e conseguiu um novo emprego. Paulo, inconformado com o término, percorreu cerca de 200 quilômetros para cometer o crime.

Antes do ataque, o ex passou a monitorar a rotina da vítima e a enviar mensagens de texto aos filhos do casal. Em conversas por aplicativo, o atirador detalhou que vigiava os passos da família e implorou para que a filha o ajudasse a reatar o casamento. “Eu já sei o Instagram dela, eu sei onde ela tá morando, eu sei a escola que o meu filho está. Minha filha, se acha que eu nasci ontem, eu tenho contatos aonde você ia imaginar. Me ajuda, eu quero a minha mulher de volta, eu amo ela, por favor, eu não vivo sem ela”, escreveu o suspeito.

Segundo a irmã da vítima, Lorena Freias, o comportamento controlador marcava a relação. Fabiana não tinha acesso às próprias senhas e era vigiada constantemente. “As mensagens eram rastreadas, ele tinha o WhatsApp no celular dele e acompanhava pelo WhatsApp Web. Ela não tinha e-mail, não tinha a senha do banco. Quando eles vinham passear ou eu ia para lá, a gente nunca ficava sozinha”, conta.

O crime

Imagens de câmeras de segurança mostram que Paulo Henrique chegou à avenida por volta das 18h45, cerca de uma hora antes do feminicídio. Ele atravessou a rua, foi até um carrinho de espetinho, fez um pedido e ficou sentado. Quando o veículo onde Fabiana estava estacionou, por volta das 19h50, o atirador se levantou, correu em volta do carro e surpreendeu a vítima. A costureira chegou a sair do veículo, mas caiu no chão.

O áudio da câmera de segurança captou os gritos de socorro sendo interrompidos pelos seis disparos. A irmã de Fabiana, que também estava no veículo, presenciou o crime e por pouco não foi atingida. “Ela tentou pular para o meu lado e eu tentei pegar na mãozinha dela. Quando eu pego, ele me olha do outro lado, aponta a arma de novo para mim e falou: ‘Você está aí ainda? Você não vai correr?’. E aí eu tive que soltar a mão dela”, relata Lorena.

Prisão e sepultamento

O suspeito fugiu a pé logo após os disparos, mas foi localizado pela Polícia Militar a cerca de cem metros do local. Paulo Henrique foi preso em flagrante e internado na Santa Casa de Sertãozinho sob escolta policial, pois foi atropelado e hostilizado durante uma confusão após a morte de Fabiana. O revólver calibre 38 utilizado no crime, com numeração raspada, foi apreendido.

O corpo de Fabiana é velado na manhã desta segunda-feira (4). O sepultamento está marcado para as 14h, no cemitério municipal de Pratápolis (MG). “Não tem nem palavras para descrever a brutalidade, a sangue frio, chegar e atirar seis vezes contra uma pessoa porque ele simplesmente não aceitou o fim do relacionamento”, lamenta a filha.

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