Ex-marido fez empréstimo de R$ 6,6 mil no nome da vítima antes de feminicídio em SP
Ex fez empréstimo no nome da vítima antes de matá-la em SP

Ex-marido fez empréstimo fraudulento antes de cometer feminicídio em cidade do interior paulista

Um homem de 53 anos, identificado como Luiz Antonio de Oliveira Cruz, é o principal suspeito de assassinar sua ex-esposa, a estudante de enfermagem Jaqueline Limeira de Oliveira, de 30 anos, na cidade de Morro Agudo, interior de São Paulo. Segundo revelações da mãe da vítima, o crime foi precedido por um empréstimo fraudulento de R$ 6,6 mil realizado pelo acusado no nome da jovem.

Dívidas e ameaças antecederam o crime fatal

De acordo com o relato emocionado de Ana Cláudia Limeira Pinto, mãe de Jaqueline, a filha vivia angustiada com dívidas contraídas pelo ex-marido em seu nome. "Ela falava para mim: 'Mãe, como é que eu vou pagar minhas contas? O Luiz fez conta no meu nome, fez um empréstimo de R$ 6.600 e não quer pagar'", declarou a aposentada em entrevista à imprensa local.

A família já convivia com o temor de que a situação pudesse escalar para um desfecho trágico. Ana Cláudia revelou que também foi vítima de agressões físicas e ameaças por parte do suspeito durante o período em que ele ainda mantinha contato com a ex-companheira. "Eu já sabia que ia matar ela porque ele falava que ia matar, ia matar. Ele me ameaçava também. Ele bateu na minha cara", desabafou.

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Crime foi registrado por câmeras de segurança

O feminicídio ocorreu na noite de terça-feira, dia 24, na calçada de uma lanchonete localizada na Rua Demerval de Castro, no Conjunto Habitacional Humberto Teodoro de Castro. Imagens de câmeras de segurança capturaram o momento exato em que o suspeito chegou ao local dirigindo um carro, desceu armado e efetuou pelo menos seis disparos contra Jaqueline, por volta das 21h37.

Após os tiros, a vítima caiu na calçada e o agressor ainda desferiu um soco nela antes de fugir do local. Jaqueline foi socorrida e levada ao hospital da cidade, mas não resistiu aos ferimentos graves.

Áudio revela intenção homicida do suspeito

Durante as investigações, a Polícia Civil teve acesso a um áudio enviado pelo suspeito a um amigo antes do assassinato. Na mensagem, ele expressa claramente sua intenção de ver a ex-mulher morta. "Eu quero que a Jaqueline vá é para a cova. Eu quero ver ela dentro do buraco, para cuspir na cara dela", diz o homem na gravação, que se tornou uma prova crucial no caso.

Investigadores localizam veículo usado na fuga

Na manhã de quinta-feira, dia 26, a Polícia Civil encontrou o carro utilizado pelo suspeito para fugir após o crime. O veículo, um Volkswagen Gol, foi localizado no bairro Jardim São José, também em Morro Agudo, apresentando danos e sinais de vandalismo.

O delegado João Baptistucci Neto, responsável pelas investigações, informou que o automóvel "estava danificado, aparentemente foi vítima de ação de vândalos". Além disso, o celular da vítima foi apreendido para perícia técnica, enquanto testemunhas continuam sendo ouvidas pelos investigadores.

Suspeito se apresenta, mas permanece em silêncio

Luiz Antonio de Oliveira Cruz se apresentou voluntariamente à polícia na tarde de sexta-feira, dia 27, mas optou por permanecer em silêncio durante todo o depoimento. Atualmente, ele está preso preventivamente enquanto as investigações avançam.

A polícia aguarda o laudo necroscópico para confirmar oficialmente quantos disparos atingiram a vítima. Após a conclusão do inquérito, o investigado poderá ser indiciado por feminicídio, crime cuja pena pode chegar a 40 anos de prisão.

Família faz apelo por denúncias de violência

Jaqueline cursava enfermagem e fazia estágio no Hospital São Marcos, em Morro Agudo. Segundo informações da família, ela se formaria em julho deste ano, tornando a tragédia ainda mais dolorosa para seus entes queridos.

Ao falar sobre a morte da filha, Ana Cláudia fez um apelo emocionado para que mulheres em situação de violência doméstica procurem ajuda e denunciem seus agressores. "É preciso denunciar. Ela [Jaqueline] não quis. Ela ficava com medo mas é preciso, gente. Vocês que são filhos, obedeçam suas mães, gente, que mãe não erra. Quando a mãe fala é porque é verdade", concluiu a mãe da vítima.

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