Mulher denuncia complicações graves após procedimento estético realizado por dentista em Ribeirão Preto
Uma professora aposentada enfrenta sérias complicações de saúde após realizar um pacote de procedimentos estéticos com uma dentista em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. O caso, que já conta com outras três vítimas, levou à interdição da clínica e a investigações por parte das autoridades competentes.
Presente de aniversário que se transformou em pesadelo
Em dezembro do ano passado, a professora aposentada Leslie Calandra Silveira decidiu investir R$ 13 mil em um pacote de procedimentos estéticos para rejuvenescer rosto e pescoço, incluindo a retirada de excesso de pele e gordura. A ideia era presentear a si mesma, mas a realidade se mostrou bem diferente das expectativas.
"Eu ia me presentear. Cheguei até a dentista por indicação. Tenho tudo registrado, as nossas negociações, tudo que ela falou que ia fazer", relatou Leslie, que mora em Passos, Minas Gerais.
Complicações imediatas e negligência alegada
A cirurgia foi realizada no dia 3 de janeiro, em uma clínica de odontologia de Ribeirão Preto. O pacote, fechado com a dentista Fernanda Borges da Silva, incluía um lifting facial e uma cervicoplastia. Apenas cinco dias após o procedimento, no entanto, a professora começou a apresentar sintomas alarmantes.
Sangramento intenso, inchaço significativo e inflamação no pescoço levaram Leslie a procurar a dentista, que minimizou a situação. "Ela falando 'não, isso é assim mesmo, é uma aguinha que sai entre os pontos, isso não é sangue, não'", contou a vítima.
Diante da persistência dos sintomas, Leslie buscou atendimento em uma clínica próxima à sua residência, onde profissionais constataram que ela corria risco de:
- Hemorragia interna
- Infecção generalizada
- Necrose no pescoço
A professora precisou passar por tratamento especializado com câmera hiperbárica e afirma que a dentista agiu com negligência. "Ela negligenciou, me deixou sangrando e a obrigação dela era me mandar para a Santa Casa, porque lá na clínica dela não tinha como ela prestar socorro", declarou.
Investigação policial e interdição da clínica
No último dia 3 de fevereiro, um mês após o procedimento, Leslie registrou um boletim de ocorrência por lesão corporal na polícia. Este não é o primeiro caso envolvendo a dentista Fernanda Borges da Silva.
Em setembro do ano passado, a secretária Silvia Maria Cândido já havia denunciado complicações durante um procedimento chamado protocolo Livcontour realizado pela mesma profissional. A Secretaria de Segurança Pública informou que quatro vítimas já procuraram a Polícia Civil para denunciar Fernanda Borges, e diligências estão em andamento.
A Vigilância Sanitária interditou a clínica, localizada no Alto da Boa Vista, região nobre de Ribeirão Preto, desde setembro de 2024. Segundo a Secretaria de Saúde, o local não possui autorização para funcionamento ou atendimento de pacientes desde uma inspeção que constatou graves irregularidades sanitárias.
"Durante a fiscalização, foram identificadas infrações graves à legislação sanitária, incluindo o funcionamento sem licença sanitária para atividades de estética e para a policlínica odontológica, além do descumprimento das normas de controle de infecção", informou a Vigilância Sanitária em nota.
Posicionamentos contraditórios
O Conselho Federal de Odontologia afirmou que o processo em questão segue em sigilo e que dentistas não são autorizados a realizar estes procedimentos estéticos. Já a advogada da dentista, Mônica Paula Lino, defende que sua cliente tinha autorização para realizar os procedimentos.
"Ela está afirmando algo do qual deveria trazer o mínimo de prova para poder dizer se, de fato, isso está acontecendo ou não. Tanto é que, se estivesse acontecendo, obviamente, a Vigilância teria consciência e já teria notificado e autuado a doutora Fernanda novamente e isso não aconteceu", argumentou a defesa.
Raquel Ribeiro, advogada de Leslie e Silvia, orientou as vítimas a buscarem seus direitos. "Essas mulheres foram orientadas a procurarem os seus direitos, a fazerem denúncias caso elas entendam que tenham sido lesionadas, para que elas procurem os órgãos competentes", explicou.
O caso continua sob investigação, enquanto as vítimas lidam com as consequências físicas e emocionais dos procedimentos mal sucedidos.



